Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Versado
Nem tudo que falo é verdade. Nem tudo que escondo é mentira. Nem tudo que gosto, tolero. Nem tudo que odeio transformo. Nem tudo que sinto é pecado. Em todo pecado, beleza. Nem tudo digo com clareza, nem clara me faço no escuro. Nem toda palavra é poesia; nem todo canto alegria; nem toda roda magia; nem toda amizade perdão. Nem tudo que vejo é o que há; nem tudo que há eu enxergo; às vezes não vejo, renego; às vezes não nego que vi. Às vezes me ponho a cantar, noutras me pego a sorrir, nalgumas vou desistir, mas volto pro mesmo lugar. Rodeio, encanto, esperneio. Eu gosto do centro, do meio. Me exibo um pouco, me encanto. E canto praquele que veio. Se há muitas pessoas, sucesso. Se há poucas pessoas, progresso. Cresço com o que me aparece. Apareço com aquilo que tenho. O que levo dentro, no fundo; não sei nem por um segundo. Vislumbro, prometo, atrapalho. Encalho no centro, no meio. E essa tal coisa de alma, mesmo privada de calma, mesmo bem no rebuliço, não perde a cor e o viço. Escrevo praquele que lê, atuo praquele que assiste, e mesmo no erro persiste a vontade de sempre acertar. Falo bobagens, besteiras. Escrevo pornografias, asneiras. Mas tiro de dentro de mim, essa coisa que pulsa lá dentro. E mesmo dormindo eu invento uma forma de nunca parar. Se agrado aos outros não sei. Não sei e não me interesso. Só sei que escrevo, me expresso, reciclando o lixo do dia. À noite, sonho acordado. De dia, vigília dormindo. Me perco em real e reverso. Encontro-me em algo diverso. As rimas me irritam, me espantam. Mas plantam em terra macia. E às vezes até a vadia, deve por fim descansar. E àqueles que não se acostumam à forma mudada, concisa, explico, de forma massiva: não tive a intenção de versar. Mas hoje carrego poesia na alma e no pensamento. E ela se escoa com o vento trazendo consigo harmonia. Seria um futuro brilhante se eu, esse ser inconstante, parasse agora um momento, e congelasse pra sempre esse vento. Com letras e delicadeza. Com flores e uma cantiga. Em qualquer conversa de amiga que a lágrima vem visitar. E com tenros olhos molhados, o fim vem impondo sua hora. Porque mesmo no brilho da aurora, há sempre a promessa do ocaso.
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2 comentários:
nossa! amei!
tem um ritmo todo... vai crescendo.. parece que cada vez mais rápido, mas as imagens não se perdem com a velocidade, e quando chega ao fim... parece um desabrochar. lindo!
Caralha!!!!
sem palavras para tamanha beleza!
que isso, colega!!!!
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