terça-feira, 25 de agosto de 2009

Efêmeros

Uma saudade fugidia me pegou hoje de surpresa. Saudades de algo que nunca soube. Acordei vendo passarinhos verdes. Como há tempos. Nada de novo, nenhuma nova brisa. Apenas um olhar para dentro renovado, um suspiro profundo de saber que se pode haver. Complexo? Conciso. Nada do que quis aconteceu. Mas eu aconteci. Em mim. Voltei a visitar-me e a me sorrir. Hoje acordei com gosto de cigarros na boca e um cheiro de pétalas na alma. Lavada com espumante e alguns chopps. Ontem deixei um pedaço do passado para trás, me desprendi de umas amarras. E descobri que pode haver outro. Assim, sem querer. Pode haver outro ainda mais interessante. Outro sorriso, outro toque, outra idéia. Pode ser bom. Mas não há nada. Nenhuma nova brisa. Apenas estas rosas se desprendendo dos meus cabelos e traçando uma trilha leve no chão. Para ser seguida. Com passos calmos, vou lembrando os caminhos que eu mesma criei. Migalha por migalha. Sem fome demais. Mas hoje os pássaros amanheceram cantando Tim Maia, e eu me perguntei por que é que eu não tocava nenhum instrumento. Meu coração é uma excelente percussão. E fui no ritmo. Neste meu ritmo de hoje, de espelhos quebrados e faces embaçadas. Por enquanto, apenas uma idéia. Cócegas divertidas de borboletas no estômago. E ainda o medo. Sempre ele, a me empurrar adiante e me mostrar que pode, sim, dar errado. Há sempre a possibilidade da falha. Por isso o gozo no êxito. Ando distante, sei. Mas ando comigo. Com as covinhas a pleno vapor. Com os lábios ainda cansados de maldizer, e a língua a ponto de se divertir. Posso me enganar, mas não será o fim do mundo. Não será a primeira vez. As covinhas se mostrando cada vez mais divertidas. Peles a centímetros de distância trocando temperaturas levemente impróprias. E eu ainda me arrisco. Sem nada, sem perspectiva. Apenas com o sorriso. E o olfato. Alguma coisa inexplicável ou hormonal. Deus é química? Acho que me entorpeci. Alguma coisa está diferente aqui dentro. Os passarinhos amanheceram cantando hoje e, mesmo depois do ocaso, a melodia continua em meus ouvidos. Devo ter enlouquecido, mas é de praxe. Nada como uma esperança nova a despertar os sentidos. Nada como uma grande bobagem a impulsionar a alma.