domingo, 16 de fevereiro de 2014

a volta

e foi por um dia estar assim, insone, que começou a desdenhar as palavras, como quem diz: delas já não preciso. bobagem esta, claro. ilusão. sabia que seus dedos adictos jamais deixariam o suave prazer de se embriagarem de letras. durante os duros anos da ditadura do roteiro, mantivera-se estritamente na linha, obedecendo as rígidas regras dos setups e plots sem, porém, nunca conseguir chegar ao clímax. foi quando a surrealidade do real a obrigou, incerta, a romper os paradigmas de sua própria escrita e voltar, mais uma vez, ao lirismo desenfreado. seus dedos como generais a torturar as frágeis teclas. deixara, enfim, a passividade. estava decidida a pegar em armas. lápis em punho e canetas a postos, iniciava agora sua longa marcha para a liberdade, oprimida - quem diria - apenas pelo brilho intenso daquelas folhas em branco.