Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
sábado, 30 de agosto de 2008
Apenas algumas reclamações
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Do outro tempo
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
A fila
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Mentiras inverdades
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Confissões de uma inconstante
domingo, 17 de agosto de 2008
A partida do circo
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Criança inventada
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Reunião de Fragmentos
A partir de agora, postarei, sempre que achar necessário, esses fragmentos perdidos. O foco não é o sentido e sim a busca. Vou postá-los sob o título Incompletos – seguido do subtítulo que lhes darei. Espero que não seja um estorvo a leitura de pensamentos abortados. E espero, ambiciosamente, que os pensamentos continuem aí, do outro lado da tela, como um diálogo entre mim e vocês, interrompido bruscamente por uma pane elétrica nos meus circuitos cerebrais. Bons pesadelos!_______
Hoje vi um atropelamento. Na janela de casa, um atropelamento. Na janela da alma, uma dor. No chão, o sangue denunciava um último sopro de vida. Vermelho. No rosto do motorista, o desespero. No do morto, a paz. Viver dói.
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Hoje não fui ao bailinho. Hoje deixei de ser criança um pouco. Fui ríspida com amigos e não pude fazer a melhor cena. Hoje pensei nele, quis falar com ele e não consegui. Hoje não tive vontade de chorar. Nem um pouquinho. Hoje fiquei sozinha. Muito sozinha. Mas não soube entender a solidão. Não quis falar com ela. Hoje só escrevo merda. Estou vazia por dentro.
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Estou arrepiada. Os pêlos do corpo eriçados. Uma estranha sensação de que algo está para acontecer. Talvez um sexto sentido. Não duvidem: as mulheres têm dessas coisas. Alguma sensibilidade não cognitiva. Alguma ligação inexplicável com o mundo. Não é a primeira vez que me sinto assim. Várias vezes já tive essas sensações. Às vezes, uma angústia desenfreada, um medo doentio. E depois, nada.
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Há pessoas que gostam de aniversário. Ela, particularmente, detesta receber telefonemas nestes dias. Até os amigos mais próximos, com quem possui uma relação estreita, adquirem tons formais no exercício de parabenizar e desejar os melhores votos. A grande verdade é que, quando o aniversariante é querido, palavras não alcançam a essência do bem que lhes desejamos. Mas era aniversário dele. E ela havia lhe prometido um e-mail. A distância, nesse caso, impedia o abraço. O sorriso. Teria que escrever. Ensaiou algumas linhas. Apagou. Reescreveu. Tudo lhe parecia premeditado e piegas – como são, de fato, os escritos de aniversário. Mas havia prometido, e pretendia cumprir...
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Nunca pensei que o fato de morar sozinho pudesse trazer tantas perturbações às pessoas. Não sei se vocês entendem o que eu quero dizer, mas mesmo as pessoas que não se sentem solitárias, que tem amigos, amores, amantes, parentes; quando vão morar sozinhas, começam a desenvolver tipos peculiares de paranóias. Tem o caso do jovem independente, que passou a ter medo de se engasgar com comprimidos. Tem também o daquele senhor que, do dia pra noite, achou que fosse sufocar enquanto dormia. E, a partir daí, passou a ter pânico de tomar banho: poderia se afogar com a água do chuveiro! Tem também o da velha senhora, que tinha medo de morrer e só ser encontrada dias depois – como se fosse fazer alguma diferença. Tem ainda o da garota, que temia desaparecer naquela cidade desconhecida, e seu sumiço só ser notado quando ela mesma voltasse para dar a notícia de que fora encontrada. Coisa de paranóicos. É claro que, tirando o afogamento no chuveiro, todas aquelas fatalidades poderiam, de fato, acontecer. Mas eram tão improváveis que a fobia se tornava (...)
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Ando um pouco preocupada com a solidão das pessoas, ultimamente. Não, podem ficar tranqüilos: não vou começar a discorrer sobre a solidão do homem moderno segundo Sartre e Beckett. Pra mim esse assunto está mais do que encerrado – embora muito do que eu vou escrever agora tenha, de alguma forma, relação com os estudos que fiz pra escrever aquele artigo. Mas se quisesse continuar na teoria, teria aceitado o mestrado. Agora quero refletir sobre a prática. Falo de fatos que tenho vivido, presenciado, ou que aconteceram com pessoas extremamente próximas. Enfim, a questão é que ando um pouco preocupada com a solidão das pessoas ultimamente. E quando digo solidão, estou me referindo a esse sentimento ruim mesmo. Tenho encontrado pessoas que não estão apenas solteiras: estão sozinhas, solitárias. Estão com dificuldades de lidar com a própria companhia. Porque se tem uma coisa difícil em ficar sozinho, é agüentar a própria companhia 24 horas por dia. Tem pessoas que são ótimas para lidar com os outros, mas que não conseguem lidar
consigo mesmo. Não me excluo do bolo – também me sinto assim às vezes. Mas devo admitir que, ultimamente, tenho me achado uma companhia cada vez mais interessante. Adoro minha solteirice e tenho convivido muito bem com minha solidão. Minha solidão é calma; de uma tranqüilidade irritante, mas cheia de descobertas inesperadas. Aceitar nossos piores pensamentos às vezes é bem complexo, mas conviver com eles e trabalhá-los nos dá uma noção de humanidade. De finitude. E de valores: os que nos são caros, e os que nos são impostos por qualquer tipo de hierarquia – social ou emocional.
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Depois de meses, a menina acorda com um telefonema. O que ela esperava. Com o canto esquerdo dos lábios, um sorriso. Ela disfarça. Tenta manter um tom agradável de surpresa. Do outro lado da linha, a ansiedade de quem tarda a tomar uma decisão inevitável. Segundos de silêncio. A garota se senta na cama. Descabelada. Nua. Em sua cabeça, um turbilhão. A voz masculina do outro lado tem algo de terno e duro. Algo que lhe interessa. Com as pernas cruzadas, ela observa o quarto – seu universo. Tudo disposto da pior maneira possível. Um mergulho de meses. Confusa ainda, ela decide desligar. Banho. Água escorrendo pelo corpo, acalmando a pele do susto involuntário. Uma reação de dentro pra fora. Ela respira fundo. Se observa. Tinha envelhecido um pouco nesses meses. O cabelo mal cortado. Alguns quilos a menos. Sem pressa, ocupou-se com os hidratantes. Sentiu prazer em se cuidar. Não devia fazer isso por ele, e não o estava fazendo. Aquele telefonema apenas a trouxera de volta à superfície. Arrumou o universo – cada astro em seu lugar. Tentou organizar também as idéias, mais confusas. Pediu um milk-shake. Ela estava podendo engordar. Enquanto fazia tudo isso, pensava na conversa ao telefone. Pensava na nova possibilidade de vida, no novo sopro de ar. Sentiu-se rejuvenescida. Sentiu-se imortal. Um homem, do outro lado da lanchonete, a observava. Incomodada, mostrou-se menos solícita do que gostaria. Um ódio começou a percorrer seu corpo. Por dentro. Parecia caminhar pela corrente sanguínea. Irrigar os músculos. Uma sensação incontrolável, ela não podia intervir. Desesperada, começou a compreender sua crise: tudo estava exacerbado, depois de meses de quietude. Teve vontade de agredir aquele homem. Fisicamente. Em sua cabeça, imaginava milhares de formas para feri-lo. Ela queria vê-lo sofrer. Não entendeu muito bem seus sentimentos. O rosto dele lhe era particularmente familiar, mas completamente desconhecido.
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sábado, 9 de agosto de 2008
Superficialidade, filha-da-putice e o circo
Mudando de assunto, gostaria de frisar mais uma vez a nossa famosa frase bailística: “Eu nunca disse que prestava!”. Nunca disse. Não que eu não preste, não é isso. Mas enfim, vocês entenderam... Ando querendo fazer bobagens – mas o peso da tradicional família mineira ainda não conseguiu se desgrudar do meu corpo. Fora isso, tenho um conceito moral arraigado que também não quer me soltar! Não estou querendo fazer nada demais, não. Mas às vezes acho que estou sendo filha-da-puta com os outros. Coisa boba. É por isso que estou reiterando: eu NUNCA disse que prestava. Isso serve tanto pros caretas, quanto pros confiantes demais. A fila anda, e eu to com medo de empurrar o coleguinha da frente. Como eu cantava com a zuleica: “bobeou cachimbo cai”. Não só cai como apaga. O cachimbo é o sucesso da metáfora. Há que se dar uma baforada atenciosa, de tempos em tempos, para manter a chama acesa. A forma pode ser até resistente, mas o conteúdo vira fumaça. E vira rápido!
Mudando novamente de assunto, estou contando os dias. Faltam seis. De novo. Vem aí a trupe mais deliciosa do universo. Estou doida pra ver os malabarismos monetários, as palhaçadas alcoolizadas, as bailarinas na areia, e o domador de leões no meio da selva. Prevejo: divertimento garantido. Ainda não fiz a programação, mas estou com uma idéia mirabolante... Preciso saber o endereço da alegria! Que os outros não me ouçam, mas os melhores artistas estarão aqui – com uma ou outra exceção. Já estou preparando a pipoca, e arrumando alguém pra dividir o algodão-doce comigo. Será que vai ter maçã do amor? Vem vindo a anja e a diaba – branco e augusto. Só gosto deste clown. Dos outros tenho pena. Ai! Tragam uma garrafa de champanhe! Estou querendo me divertir... Prometo que me apresento pra vocês – meu lado mais amargo e o mais doce. Na medida das papilas gustativas. Vou ter o maior prazer de apresentá-los ao meu novo mundo. Bem-vindos!
E não se esqueçam: eu nunca disse que prestava!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Fofoquinhas sobre a nova vida de casada...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Carta a um antigo desafeto
Sobre isso, aliás, também tenho algumas coisas a dizer. O tempo passa, minha querida, e passa rápido. Já faz tempo que deixamos de ser aquelas garotinhas bobas, que brigavam por motivos medíocres. Se você quer saber, às vezes eu tento, mas nunca consigo lembrar porque começamos a nos desentender. O que eu lembro é que éramos bem amigas. Lembra daquela vez que nos encontramos na peça do Rodrigo Santoro? Histéricas pra conseguir falar com ele? Eu lembro. Com saudades. E das viagens que fazíamos praquele interior? Você ainda vai lá? E aquela amiga estranha que tivemos? Até hoje não entendo qual era a dela – e me dá arrepios, só de pensar! Lembro das caipivodkas – nossa, como a gente bebia vodka naquela época! – lembro dos seus irmãos “pequenos” e do seu pai indo nos buscar nas festas. E não consigo me esquecer daquele apartamento, daquela varanda, e das longas histórias que aconteceram ali dentro. Sim, é disso que eu me lembro. De bons momentos da minha adolescência. Bons momentos que passamos juntas. Depois, um abismo. Não sei como ele se formou, não me interessa. Mas ele existe. Está aí e, pelo jeito, não queremos passar por ele. O deixamos quieto, cada dia mais profundo. Se quer saber, também tenho mágoa de você. Mágoa não, frustração. É que depois dos desentendimentos, depois da calmaria, por várias vezes tentei me reaproximar. E todas as vezes desistia quando sabia que, mais uma vez, você estava tentando jogar as pessoas contra mim, falando mal, criando essas suas estranhas fantasias. É uma pena. Poderia ter sido diferente. Mas não foi. Acho melhor, então, deixarmos de ser hipócritas, e assumirmos nossa real distância. Posso estar parecendo extremista, mas não é a minha intenção. Aliás, gostaria que você soubesse que não tenho nada – absolutamente nada – contra você. Se tivesse, provavelmente não estaria perdendo meu tempo escrevendo essa carta. Se eu te achasse uma escrota – como parece que você acha que eu acho – eu diria: “tá magoada comigo? foda-se!”. E ia me ocupar com coisas mais importantes. Mas, realmente, achei estranha a sua mágoa. E nunca foi minha intenção. Apenas quis colocar os pingos nos “is”. Sabe o que é? Depois que me mudei pra cá, que me distanciei, comecei a perceber melhor o valor de cada coisa na minha vida. E descobri que picuinhas de turma não tem lugar nela. Não quero confusão, não sou de confusão. Mas tenho que ser verdadeira comigo mesma. Portanto, se tiver que causar mal-estar por discordar de certas regras de conduta, vou ter que fazê-lo. Não tenho porque te manter no meu universo virtual só porque vai ser um choque eu te deletar. Desculpa, mas chega de hipocrisia. Na verdade, eu acho que a gente devia se re-conhecer. Porque eu, sinceramente, não conheço essa aí adulta, mãe de família e agora fumante. A que eu conheço é uma menininha mimada, capaz de mover o mundo quando é contrariada. Metade das coisas que você pensa sobre mim, também deixou de ser verdade ao longo do tempo. As pessoas mudam. É como eu disse: o tempo passa, e passa rápido. E esta é a última vez que eu gasto meu tempo tentando harmonizar essa história. Já me fiz bem clara agora. A você, cabe uma escolha. Pode optar por me manter apenas como uma conhecida, uma pessoa da qual você não gosta, mas que é obrigada a encontrar de vez em quando. Ou então, pode experimentar. Tentar me conhecer de novo, sem pré-conceitos. Sem idéias já concebidas. Por mim, proponho deixar o passado em seu lugar. Nossas imaturidades eram condizentes com a nossa idade. Mas nós crescemos, mudamos. Eu não sei quem você é. Quanto a mim, muito prazer! Meu nome é Flávia Prosdocimi...