Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Quando falta inspiração
Tenho vários textos inacabados e não sei lidar com eles. O que fazer com fragmentos de emoções e pensamentos que não chegaram a ser concluídos? São desabafos sofridos. Talvez sejam só pra mim. Mas são também histórias interessantes, contos absurdos, teses inacabadas. São partes do mosaico que me quebra por dentro. São partes pequenas de coisas que eu não sei. Coisas que são minhas e que não me pertencem mais. É difícil quando uma coisa que foi sua deixa, de repente, de o ser. O sentimento de perda é multifacetado. Mesmo quando a perda é voluntária. O suicídio é um pulo no vazio. A perda voluntária máxima. A decisão sem volta. Mas as outras perdas voluntárias são passíveis de mudança. Acabo de abrir mão de algo. Não sei ainda se voltarei atrás. Pode ser que isso aconteça em minutos, ou nunca mais aconteça. Estou um pouco cansada de me questionar e ser questionada por minhas atitudes. Às vezes o que vale é o instinto. Hoje comecei três textos – não consegui terminar nenhum. Me senti impotente. Tentei escrever sobre a solidão: não a minha, mas a do mundo. Essa estranha epidemia que tem contaminado as pessoas de bem. Ficaram todos pensamentos pela metade. Letras embaralhadas em um fundo qualquer. Aí comecei este desabafo. Não penso enquanto escrevo: escrevo. Erro palavras, erro pensamentos, me erro. Adoro os textos dos dedos. Uma forma menos autoritária de botar as coisas pra fora. Gosto de fugir ao comando da cabeça, embora ela, ultimamente, tenha me dado conselhos sensacionais. Prometo escrever alguma coisa sensata por esses dias. Tenho muito o que escrever. Os temas estão pipocando. Mas acho que minha cabeça anda organizada demais. Os textos são filhos da confusão. E agora estou calma. Quieta. Tudo na mais perfeita ordem. É por isso que a poesia se esvai. A poesia é um móbile solto no furacão, como eu. Preciso de vento. Ando na calmaria. Quero a correnteza. Por enquanto balanço como folhas de árvores: lentas e seguras pelo galho. A segurança sou eu mesma. Sou auto-suficiente. Eficiente. Consciente. Dente. Mente. Demente.
domingo, 20 de julho de 2008
A morte da menina velha
Lembrou-se de uma toada triste. Uma daquelas que ouvia em seu tempo de infância. A melodia não lhe saía da cabeça. Deixou que todo seu corpo fosse permeado por aquela vibração, lentamente. Imaginou-se correndo por entre aquelas terras vermelhas, e a poeira lhe embaraçando os cabelos. Não se lembrava dos detalhes daquela vida. Não se lembra com perfeição de sua vida. Tudo era como uma colcha velha de retalhos. Cada pedaço havia sido colocado por algum querido diferente. Somente a costura ela tinha feito com as próprias mãos. Costurava os pedaços mais interessantes, coloridos. A colcha não precisava ter muita verdade, só beleza. Não serviria para abrigar ninguém do frio. Correu novamente por aquela terra rachada, até se encontrar em um imenso pasto de grama queimada. O sol destruía tudo. O gado, magro, buscava abrigo naquelas pequenas árvores do serrado. Escassas. Havia muito sal no chão. E pouca água no olhar. Sentiu-se sugada pela pobreza dos animais. De alguma forma, eles invejavam as possibilidades de invenção dela. Não conseguia, em absoluto, fazer parte daquele lugar. Colocada ali desde pequena, sempre fora um peixe sem aquário. Não havia água suficiente por ali. Não sentia pena daquela gente. Não sentia amor, nem desprezo, nem remorso. Nem indiferença sentia. Não sentia nada. Não era parte deles, e não conseguia deixar-se permear por aqueles conhecimentos e valores. Era muito pequena ainda, e tudo aquilo não passava de um vazio dentro dela. Ainda não sabia que não era dali. Apenas não conseguia participar daquele mundo. Correu por aquele pasto e além. O suor que lhe escorria pelas faces era o único vestígio de água em quilômetros. E ela, o único vestígio de vida. Sentiu-se sozinha, embora ainda fosse nova demais para ter tal sentimento. Sentiu-se oca e seca, como todo o resto. Pegou nos cabelos embaraçados de poeira e suor e imaginou-se debaixo de uma cachoeira ruidosa. Deixou-se inundar por aquele ruído, e logo estava de fato na cachoeira, alguns anos depois, abraçada a um garoto magro, desengonçado de adolescente. Viu seu corpo ainda em processo se arrepiar com o desconhecido, e o sentimento de um pequeno amor brilhar em suas bochechas rosadas. Mergulhou por entre aqueles peixinhos dourados, jogando água no menino esguio. Ele encantado: ela sereia. Havia o mar nos olhos deles. E as ondas iam e vinham em espasmos alternados. Abraçaram-se com temor, pois não sabiam conter o maremoto de seus corações. E brincaram de esquentar aquela água, da forma deles. Pueril e inocente como o rio que lhes escorria. Aos poucos a temperatura de seu corpo foi aumentando. Tanto, que se transformou em fogo. Estava lá, por trás das chamas daquela noite de inverno. Chamas contidas, represadas naquele buraco na parede. Agora sim se sentia em casa. Peles cobriam a sua pele, deixando-a mais quente que o próprio fogo. Era só ela e o vento, naquela imensidão de brancos tão iguais. Sentiu-se sozinha novamente. Ali, no topo do mundo. No cume, onde todos os pecados devem ser purgados. O quente, o frio e o medo. Todo o horror do universo mesclado em um só ponto. Sentiu-se poderosa e demonstrou seu poder. De suas mãos, um calor intenso irradiava em direção às pontas. E a água escorria, lentamente, criando sulcos na montanha de gelo. Todo o seu corpo era brasa. Vermelha e lúcida como qualquer outra razão. Pediu para que tivesse controle dos seus atos, e que pudesse revertê-los, caso fosse necessário. O desejo negado provocou-lhe ira, e aos poucos ela começou a queimar todo aquele universo. Queimou-se por dentro, transformando-se em pó. E ventou. Ventou e se levou consigo para lugares remotos. Largou a sua poeira pelo mundo e continuou-se como ar. Lambeu corpos dourados ao sol e espalhou labaredas no alto de um penhasco. Balançou folhas de árvores e escondeu papéis para nunca serem achados. Brincou como quis com as pequenas coisas, levando-as, ao acaso, pelas ruas sem fim. Entrou em corpos pelos orifícios mais absurdos, e saiu deles de maneira não desejada. E voou. Voou por tempos e espaços que não imaginava possíveis. Brincou com coisas aparentemente imóveis, e refrescou a pele de pessoas cansadas. Correu mundo de ponta a ponta até deixar-se ser sugada pela inspiração de suas próprias narinas, voltando, assim, a fazer parte completa de si. Em sua cabeça, aquela toada triste da infância. Em seu peito, o ar cansado de quem já viu tudo o que havia pra ver. Em seus olhos, o último resquício daquela chama que um dia a incendiou. No corpo, a imobilidade daquela terra seca e rachada. E na alma, a placidez do centro do mundo. A calma e a tranqüilidade do lugar no qual todas as águas, enfim, descansam.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Um dia bom...
Descompliquei. Simples assim: descompliquei. A mesma capacidade que eu tenho pra inventar as confusões, tenho, às vezes, para desinventá-las. E como as coisas são criadas apenas dentro da minha cabeça, posso passar uma borracha nelas a meu bel prazer. Tá, tudo bem, não descompliquei sozinha... nada como alguns chocolates quentes no final da tarde, e uma tonelada de conselhos surreais de uma amiga de outro mundo. Ouvir um pouco me fez descomplicar mais rápido. Ouvi tudo que já sabia, mas que não queria perceber. Sofrer às vezes é bem mais interessante. Mas resolvi descomplicar dessa vez. E vivi um excelente dia. Acordei bem mais cedo que o normal, encontrei meus pais – que não via há mais de um mês, e fiz coisas que queria fazer. Tomei um (outro) hot fudge e comi um koni, por exemplo. Uma bobagem, eu sei. Mas uma bobagem deliciosa, que me fez feliz. Por trás da tranqüilidade, uma pontinha de ansiedade. Estava esperando um resultado que não saiu... Estranho. Mas provavelmente amanhã eu já saiba o veredicto.
A falta desta resposta me fez, subitamente, refletir sobre o que eu vim buscar aqui. É claro que um bom projeto teatral alegraria meus dias mais do que qualquer outra coisa. Mas descobri que, embora tenha vindo buscar outra coisa neste lugar, acabei me encontrando. Assim, ao acaso. Descobri muitas coisas sobre mim nos últimos tempos. Descobri que gosto de ficar sozinha, preciso de um pouco de solidão. Descobri que o ócio me cansa mais do que eu podia supor, e que algumas pessoas simplesmente não me fazem falta. Percebi que algumas prioridades caíram por terra, e outras pequenas besteiras ocuparam o seu lugar. Descobri que as pessoas são mais sinceras à distância, porque falar é muito difícil. E que a importância que cada pessoa tem em minha vida, só pôde ser medida na ausência. A ausência me fez descobrir afinidades nunca percebidas, e alguns carinhos soterrados. O tempo de olhar pra dentro tem sido realmente muito importante para mim. Tenho descoberto muito de mim nos outros também. Marcas que eu deixei neles pela convivência, e semelhanças temperamentais, humanas. Tenho lido bastante. E ler tem preenchido, um pouco, a falta que eu sinto da academia. Já estava farta daquele ambiente, é verdade. Precisava deste tempo para respirar. Mas já consigo vislumbrar uma volta... o mestrado tem se tornado cada dia mais tentador! Mas confesso que tenho um pouco de medo deste universo. Discordem o quanto quiserem mas, pra mim, o excesso de conhecimento mata um pouco o artista. Muito difícil ser culto e espontâneo ao mesmo tempo. Quando há conhecimento demais, qualquer impulso criativo é freado por relações teóricas e comparações estéticas. Vejo isso todo o tempo. A luta do conhecimento com a criatividade. Difícil lidar com ela. Ambas as coisas são de suma importância para o artista, mas é difícil encontrar a dose certa. E ambas podem ser letais.
Mudando um pouco de assunto, tenho me impressionado com a repercussão desse blog. Exagerada, eu? Talvez. Mas quando criei esse espaço, achei que fosse escrever somente pra mim. E, além dos comentários deixados aqui, já recebi e-mails, depoimentos no orkut, telefonemas e declarações sobre estes escritos. A-do-ro cada um deles. Acho que são eles os principais responsáveis por eu me mostrar um pouco mais aqui. Porque se tem uma coisa que aprendi com eles é que a gente só comenta o que toca/incomoda/atinge a gente. Já escrevi vários textos, e cada pessoa comenta alguns especificamente. Uns criticam, outros elogiam, outros pedem explicações, outros simplesmente agradecem. Um me mandou e-mail falando que eu o incentivo a escrever, o outro me agradeceu por ajudá-lo mesmo quando nem sei que o estou fazendo, o outro criticou um monólogo como se fosse um diálogo, o outro disse que não entendeu direito o que eu quis dizer, e o outro ainda interpretou a coisa de uma forma encantadora, mas que eu nunca tinha pensado. Tenho achado isso maravilhoso. Não conhecia direito esse poder da escrita. Depois que publico um texto, ele se torna vários. Para cada leitor, um universo diferente. Cada um faz suas conexões, o transporta para seu universo particular, o relaciona com experiências singulares e únicas. Para cada um, mil. É o milagre da multiplicação. É claro que pra esse turbilhão de descobertas, há também alguns enganos. O mais comum deles é achar que as coisas que eu relato aqui de fato aconteceram. Ou que o que eu escrevo é o que eu realmente acho. Já no texto de apresentação eu disse: isso aqui está cheio de mentiras, transformações. Essas linhas são apenas uma livre distorção da realidade: para o bem ou para o mal. Espero que isso fique claro. Não quero ser julgada ou questionada sobre as bobagens que escrevo aqui. Esses textos são só rascunhos que escrevo com a alma. Uma forma de gastar um pouco a energia, aplacar a necessidade de me expressar. Outro dia pensei em escrever um texto cheio de putarias, mas fiquei com medo de ser mal interpretada. Freei o impulso. Fico devendo este texto. Este e muitos outros.
Para terminar, queria agradecer. Sei lá o quê. Sinto que devo agradecer. Hoje estou grata, tive um dia bom. Não sei a quem agradeço. Mas agradeço o carinho, as decepções, as realizações, os sonhos, os sorrisos e as marcas. Principalmente os sorrisos. Tenho visto sorrisos lindos. Sorrisos com os olhos. Acho que meus olhos estão sorrindo agora. Os olhos, a janela da alma. Obrigada. Obrigada pelo carinho, pela compreensão, pela paciência. Obrigada por perdoarem minhas intempéries e comungarem da minha insanidade. Gostaria de dar um abraço no mundo agora. Estou transbordando uma coisa que não sei o que é. Espero que chegue um pouco aí pra vocês. E obrigada! Obrigada por gastarem seu tempo comigo. E por fazerem parte destes pequenos momentos. Destes fragmentos – pequenos e lindos. Fragmentos desta vida inventada!
***Agradecer é de suma importância. Coloquei o ponto final no texto e recebi um telefonema. Um telefonema das minhas irmãs de alma. Já não acredito mais em coincidências. Obrigada pelo acaso. Obrigada, lindezinhas. Amo vocês demais. Obrigada por fazerem parte do meu universo. E por fazerem de mim uma pessoa um pouquinho melhor. É, hoje só tenho a agradecer. Obrigada, obrigada, obrigada! Um beijo em cada um de vocês.
A falta desta resposta me fez, subitamente, refletir sobre o que eu vim buscar aqui. É claro que um bom projeto teatral alegraria meus dias mais do que qualquer outra coisa. Mas descobri que, embora tenha vindo buscar outra coisa neste lugar, acabei me encontrando. Assim, ao acaso. Descobri muitas coisas sobre mim nos últimos tempos. Descobri que gosto de ficar sozinha, preciso de um pouco de solidão. Descobri que o ócio me cansa mais do que eu podia supor, e que algumas pessoas simplesmente não me fazem falta. Percebi que algumas prioridades caíram por terra, e outras pequenas besteiras ocuparam o seu lugar. Descobri que as pessoas são mais sinceras à distância, porque falar é muito difícil. E que a importância que cada pessoa tem em minha vida, só pôde ser medida na ausência. A ausência me fez descobrir afinidades nunca percebidas, e alguns carinhos soterrados. O tempo de olhar pra dentro tem sido realmente muito importante para mim. Tenho descoberto muito de mim nos outros também. Marcas que eu deixei neles pela convivência, e semelhanças temperamentais, humanas. Tenho lido bastante. E ler tem preenchido, um pouco, a falta que eu sinto da academia. Já estava farta daquele ambiente, é verdade. Precisava deste tempo para respirar. Mas já consigo vislumbrar uma volta... o mestrado tem se tornado cada dia mais tentador! Mas confesso que tenho um pouco de medo deste universo. Discordem o quanto quiserem mas, pra mim, o excesso de conhecimento mata um pouco o artista. Muito difícil ser culto e espontâneo ao mesmo tempo. Quando há conhecimento demais, qualquer impulso criativo é freado por relações teóricas e comparações estéticas. Vejo isso todo o tempo. A luta do conhecimento com a criatividade. Difícil lidar com ela. Ambas as coisas são de suma importância para o artista, mas é difícil encontrar a dose certa. E ambas podem ser letais.
Mudando um pouco de assunto, tenho me impressionado com a repercussão desse blog. Exagerada, eu? Talvez. Mas quando criei esse espaço, achei que fosse escrever somente pra mim. E, além dos comentários deixados aqui, já recebi e-mails, depoimentos no orkut, telefonemas e declarações sobre estes escritos. A-do-ro cada um deles. Acho que são eles os principais responsáveis por eu me mostrar um pouco mais aqui. Porque se tem uma coisa que aprendi com eles é que a gente só comenta o que toca/incomoda/atinge a gente. Já escrevi vários textos, e cada pessoa comenta alguns especificamente. Uns criticam, outros elogiam, outros pedem explicações, outros simplesmente agradecem. Um me mandou e-mail falando que eu o incentivo a escrever, o outro me agradeceu por ajudá-lo mesmo quando nem sei que o estou fazendo, o outro criticou um monólogo como se fosse um diálogo, o outro disse que não entendeu direito o que eu quis dizer, e o outro ainda interpretou a coisa de uma forma encantadora, mas que eu nunca tinha pensado. Tenho achado isso maravilhoso. Não conhecia direito esse poder da escrita. Depois que publico um texto, ele se torna vários. Para cada leitor, um universo diferente. Cada um faz suas conexões, o transporta para seu universo particular, o relaciona com experiências singulares e únicas. Para cada um, mil. É o milagre da multiplicação. É claro que pra esse turbilhão de descobertas, há também alguns enganos. O mais comum deles é achar que as coisas que eu relato aqui de fato aconteceram. Ou que o que eu escrevo é o que eu realmente acho. Já no texto de apresentação eu disse: isso aqui está cheio de mentiras, transformações. Essas linhas são apenas uma livre distorção da realidade: para o bem ou para o mal. Espero que isso fique claro. Não quero ser julgada ou questionada sobre as bobagens que escrevo aqui. Esses textos são só rascunhos que escrevo com a alma. Uma forma de gastar um pouco a energia, aplacar a necessidade de me expressar. Outro dia pensei em escrever um texto cheio de putarias, mas fiquei com medo de ser mal interpretada. Freei o impulso. Fico devendo este texto. Este e muitos outros.
Para terminar, queria agradecer. Sei lá o quê. Sinto que devo agradecer. Hoje estou grata, tive um dia bom. Não sei a quem agradeço. Mas agradeço o carinho, as decepções, as realizações, os sonhos, os sorrisos e as marcas. Principalmente os sorrisos. Tenho visto sorrisos lindos. Sorrisos com os olhos. Acho que meus olhos estão sorrindo agora. Os olhos, a janela da alma. Obrigada. Obrigada pelo carinho, pela compreensão, pela paciência. Obrigada por perdoarem minhas intempéries e comungarem da minha insanidade. Gostaria de dar um abraço no mundo agora. Estou transbordando uma coisa que não sei o que é. Espero que chegue um pouco aí pra vocês. E obrigada! Obrigada por gastarem seu tempo comigo. E por fazerem parte destes pequenos momentos. Destes fragmentos – pequenos e lindos. Fragmentos desta vida inventada!
***Agradecer é de suma importância. Coloquei o ponto final no texto e recebi um telefonema. Um telefonema das minhas irmãs de alma. Já não acredito mais em coincidências. Obrigada pelo acaso. Obrigada, lindezinhas. Amo vocês demais. Obrigada por fazerem parte do meu universo. E por fazerem de mim uma pessoa um pouquinho melhor. É, hoje só tenho a agradecer. Obrigada, obrigada, obrigada! Um beijo em cada um de vocês.
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segunda-feira, 14 de julho de 2008
Confusões Sentimentais
Hoje acordei com café na cama e um beijo de bom dia. Bonito não é? Seria... se a cama fosse outra, e o beijo de outro alguém. Me senti desconfortável. Por fora, o sorriso, a surpresa. Por dentro um grito mudo. Bobagens... A gente faz milhões de bobagens durante a vida! Mas hoje fiz uma das piores: hoje fui desonesta comigo. Coloquei um outro homem na quadrilha; troquei de par. Mas foi ele quem quis dançar. Não estou preocupada com isso agora. Não o machuquei, tenho certeza. Na verdade não machuquei ninguém além de mim. Não foi a primeira vez que menti pra mim mesma, mas foi a primeira vez que premeditei o engodo. Ele já estava escrito há algumas semanas. Eu sempre soube de sua existência, mas mesmo assim não consegui evitá-lo. Não consegui conter as coisas que se mexiam aqui dentro. Embrulho no estômago. Uma fome infinita. Uma indiferença forçada que eu não consegui enterrar. É engraçado quando as atitudes tomam o lugar do sentimento... Não sei se estou sendo clara, mas comigo acontece às vezes de eu querer fazer uma coisa e acabar fazendo exatamente o oposto. Foi o que aconteceu ontem. A mentira que eu me contei só foi necessária porque eu não consegui agir da forma que eu queria. Aí menti, pra me esconder. Metade das coisas escritas nesse texto são alegorias. E a outra metade está confusa, eu sei. Mas é que ainda estou perdida nos meus próprios sentimentos. Acho que seria mais fácil deixar pra lá, e fingir que nada aconteceu. Mas eu estaria mentindo de novo. Ia ocultar o problema criando uma espera. Por que a gente tem a mania de sempre fazer as coisas do jeito mais difícil? Outro dia assisti Um beijo roubado, e o filme me tocou muito. Um filme em camadas. Muito mais profundo do que parece a princípio. Ele conta a história de uma mulher que demorou dez meses para atravessar uma rua. Ela pegou o caminho mais longo e demorou dez meses pra fazer algo que podia ter feito em segundos. Acho que estou fazendo isso. Demorando meses pra esticar o braço. Ok, é verdade, já fiz alguns movimentos. Mas em momento algum estiquei o braço. Talvez por medo, insegurança. Mas acho que mais por comodidade. E vaidade, até. No fundo, a gente gosta que nos estendam a mão. Mas sem querer ficamos, nós, de punhos cerrados. Eu, na minha polifonia sentimental, me questiono sobre a eficácia de me mover agora. Talvez eu deixe de esticar o braço e alcançar o que eu quero só por medo de não conseguir. Então fico esperando um movimento de lá pra cá. Enquanto isso, vou me mentindo, me machucando. Fingindo que não me incomodo e não me abalo. No fim pode ser que, cheia de arranhões e machucados, eu não consiga nem mesmo agarrar a mão que eu estou esperando. Por isso penso às vezes em jogar esse braço fora. Não sei porque o quero. Talvez porque ele seja mais complicado do que eu, e isso me encante. Talvez um capricho de menina mimada. Talvez um início de amor. E só. O que garanto é que estou sempre perto do prazo de largá-lo aos cachorros, mas cismo em roer um pouco mais o osso. Já desisti, mudei de idéia, reconsiderei, voltei atrás. E agora não sei se minto para mim querendo ou não querendo. Já estou perdida demais nesse emaranhado de sentimentos. A ampulheta já está virada pra baixo, mas eu detesto ver a areia se movendo. Gosto da ilusão. Tenho essa semana para resolver coisas importantes. Ou deixá-las para sempre sem solução. Estou largando um pedaço de mim aos jacarés. Eu sei, já menti antes. E é por isso que me assusta. Estou com a estranha sensação de que há alguma verdade nisso tudo. Mas minha paciência é zero, eu já disse. Enquanto me confundo dentro de mim, parece que estou me esclarecendo pros outros. E isso me preocupa mais ainda. A identificação é perigosa. Há pessoas se apaixonando por si mesmas, mas ainda não descobriram. Não quero ser o objeto de transferência. Já tem muita gente louca no mundo. E eu estou precisando me curar. Tenho que buscar a coerência. Não falei nada com nada. A ressaca do corpo já passou, mas aqui dentro tem um buraco imenso que não cabe a mim preencher. Você podia me ajudar. Nem que seja pra soterrá-lo. Tenho ficado angustiada com a espera. E estou com um sorriso estranho no rosto. Tenho tido medo de mim.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Aberta para balanço
Quero um amor calmo, pra aplacar minha solidão nos dias mais frios de inverno. Quero alguém que me dê a mão, e me faça sentir em casa. Quero um lugar meu dentro de outra pessoa, quero lembranças em comum para poder compartilhar. Quero ser um pouco do outro, e sentir uma outra pessoa se misturando a mim. Quero trocar idéias, mudar opiniões, entender de coisas que não me interessam. Quero brincar de ser um só. Mas quero a individualidade a dois. Quero saber o refrão de alguma canção popular só para poder me lembrar dele. E sorrir, ao ouvir tal música nos lugares mais inusitados. Quero aquele sorriso no rosto. Aquele, que perdi há algum tempo. Quero dançar sozinha, sonhar acordada, dormir de conchinha. Quero reconhecer um cheiro na rua, e me lembrar de coisas que ainda não aconteceram. Quero sentir o coração pular dentro do peito apenas por imaginar a proximidade. Quero cabelos perdidos e aquele gostinho nos lábios. Quero saborear cada momento, e me esquecer dos sabores apenas para poder experimentar de novo. Quero experimentar sempre, cada dia mais. Quero tentar ser uma pessoa boa pra alguém, e quero deixar alguém ser bom pra mim. Ando meio fechada em mim mesma. Coisas da vida. Mas decidi que agora quero mudar. Quero me abrir outra vez.
Por isso declaro: estou aberta para balanço! Quero sentir de novo aquela coisa me remexendo por dentro. Quero me sentir a alguns centímetros do chão. Mas quero loucuras sensatas, insanidades pensadas. Estou um pouco cansada da desorganização sentimental. Da intensidade banalizada. Cansei de perder tanta energia. Por isso quero um amor calmo. Como um balanço na rede de um dia ensolarado, e o som da fogueira em uma noite de estrelas. Não procuro mais alguém para dividir: quero alguém pra somar. Juntar experiências, sensações, sentimentos. Alguém que me ajude a controlar os ímpetos, e que precise de mim para conter alguma outra coisa qualquer. Alguém que me acrescente, me absorva, me multiplique. Quero alguém com quem eu possa ser eu mesma – das diversas formas que costumo ser. Quero alguém pra me confundir e se confundir comigo. Quero a calmaria pra eu poder mergulhar e a tormenta, pra eu poder me esconder. Mas pra isso, preciso me concentrar. E ultimamente, ando perdendo um pouco o foco. Por isso vou me esconder, me aquietar. Vou me mudar praquela caverna de vidro na qual eu me protejo e me exponho. Vou esperar, pacientemente, alguém me descobrir lá dentro. Um amor calmo não é fácil como parece. É arisco e inteligente. E se esconde, principalmente, das pessoas que o procuram...
Por isso declaro: estou aberta para balanço! Quero sentir de novo aquela coisa me remexendo por dentro. Quero me sentir a alguns centímetros do chão. Mas quero loucuras sensatas, insanidades pensadas. Estou um pouco cansada da desorganização sentimental. Da intensidade banalizada. Cansei de perder tanta energia. Por isso quero um amor calmo. Como um balanço na rede de um dia ensolarado, e o som da fogueira em uma noite de estrelas. Não procuro mais alguém para dividir: quero alguém pra somar. Juntar experiências, sensações, sentimentos. Alguém que me ajude a controlar os ímpetos, e que precise de mim para conter alguma outra coisa qualquer. Alguém que me acrescente, me absorva, me multiplique. Quero alguém com quem eu possa ser eu mesma – das diversas formas que costumo ser. Quero alguém pra me confundir e se confundir comigo. Quero a calmaria pra eu poder mergulhar e a tormenta, pra eu poder me esconder. Mas pra isso, preciso me concentrar. E ultimamente, ando perdendo um pouco o foco. Por isso vou me esconder, me aquietar. Vou me mudar praquela caverna de vidro na qual eu me protejo e me exponho. Vou esperar, pacientemente, alguém me descobrir lá dentro. Um amor calmo não é fácil como parece. É arisco e inteligente. E se esconde, principalmente, das pessoas que o procuram...
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Curtinhas desconexas
**************************
Há sempre algo surpreendente por trás da máscara que cái.
**************************
Passei tanto tempo pensando em de quantas formas eu podia te odiar que acabei esquecendo o quanto te amava.
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E seu coração voava looooonge...
Como uma pipa, que precisa da segurança de outrem para poder enfeitar o ar.
**************************
Hoje vi um atropelamento. Na janela de casa, um atropelamento. Na janela da alma, uma dor. No chão, o sangue denunciava um último sopro de vida. Vermelho. No rosto do motorista, o desespero. No do morto, a paz. Viver dói.
**************************
E por último uma súplica (essa é verdade):
Tem alguém pensando frequentemente em me ligar. Ouço meu celular tocar o dia todo - dentro da minha cabeça. Se você é essa pessoa, e está lendo essas linhas, por favor, telefone! Provavelmente eu também estou querendo falar com você. Ou então, desista definitivamente de fazê-lo. Você está invadindo meu cérebro, me impedindo de concentrar nas pequenas coisas...
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Há sempre algo surpreendente por trás da máscara que cái.
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Passei tanto tempo pensando em de quantas formas eu podia te odiar que acabei esquecendo o quanto te amava.
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E seu coração voava looooonge...
Como uma pipa, que precisa da segurança de outrem para poder enfeitar o ar.
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Hoje vi um atropelamento. Na janela de casa, um atropelamento. Na janela da alma, uma dor. No chão, o sangue denunciava um último sopro de vida. Vermelho. No rosto do motorista, o desespero. No do morto, a paz. Viver dói.
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E por último uma súplica (essa é verdade):
Tem alguém pensando frequentemente em me ligar. Ouço meu celular tocar o dia todo - dentro da minha cabeça. Se você é essa pessoa, e está lendo essas linhas, por favor, telefone! Provavelmente eu também estou querendo falar com você. Ou então, desista definitivamente de fazê-lo. Você está invadindo meu cérebro, me impedindo de concentrar nas pequenas coisas...
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terça-feira, 8 de julho de 2008
Por entre os carros
Puta trânsito ruim, né? É. Barulhão da porra. Um saco. Eu fico pensando: se eu fosse ET, ia chegar aqui na terra e achar que os carros é que eram os habitantes. É... Você entende? Entendo. Puta falta de respeito, né? O que? Os carros, não ta vendo? Aquela senhora ali ta tentando atravessar há um tempão e nada. Ninguém deixa. É... (tempo) Porque você está tão calado? Sei lá, to com uma vontade da porra de ir embora. Entendo. Entende nada. Ah é, então me explica! Se eu pudesse, saía correndo agora. Correndo por entre esses carros, não ia parar nunca mais. Macunaíma. (risos) Você, hein... sempre tão engraçadinha. Eu me esforço. Há-há-há. Inconveniente. Ihhh... quer sair correndo vai, não precisa me agredir. Às vezes, eu queria que você se fudesse! Eu também quero me fuder às vezes. A maioria das vezes. Lá vem você. Ué, não posso? Foi você quem começou... Eu não estava falando disso. Não importa, eu estou. Você só pensa em putaria. Tem razão. O que? Você tem razão. Razão em quê? Quando diz que eu só penso putaria. É verdade. Não é não, eu estava só tentando te ofender. Não conseguiu, mas pelo menos disse uma verdade. Não estou te entendendo. Eu é que não estou. Você está lerdo. Eu ainda estou pensando em sair correndo. Jesus cristo, então vai. Deus te deu duas pernas pra você usá-las quando bem entender. Você não me entendeu. Eu não queria sair correndo de verdade. É apenas uma sensação. Você está muito complexo. Usou alguma droga? Talvez, eu não me lembro. Ah não, não acredito... Você anda dando teco sem me chamar? Não foi teco, não ta vendo? Sei lá... querendo correr aí sem parar! Você não está entendendo nada. Ai que saco! Já é a quinta vez que você fala isso. Por que que ao invés de você reclamar, você não me explica. To sem vontade. Sem vontade de quê? De falar, sei lá. Sair correndo você quer? Deixa de ser chata! Eu sempre fui chata. E você sempre gostou. Mas hoje estou sem saco. É mesmo? Você guardou seu saco onde? (começa a assediá-lo) Vamos parar com isso? Ou! Ou! Pode parar. Ai meu deus... você vai ficar assim o dia todo? Não sei. E você? Vai ficar assim pelo resto da vida? Assim como? Pensando em putaria. Nunca vi... ô mulher. Homem é engraçado, né? Vive reclamando que mulher não gosta de sexo. Quando arruma uma que gosta, foge da raia! Eu não fujo da raia. Foge sim. Não fujo não. Só porque hoje eu não quero? Só porque eu sempre quero mais do que você! Peralá! Isso é mentira! É? É! Bom, é o meu modo de ver as coisas... Um modo equivocado. É mesmo? Então me prova. Provar o que? Que eu estou “equivocada”. Você sabe que está. Não sei não. Sabe sim! E vamos mudar de assunto. De pau pra caralho? Ô mulher! (ele ri. Ela se aproxima.) Repete! O quê? Esse “ô mulher”! Repete! Repete pegando aqui assim ó, e olhando no meu olho? (agarra-a e olha em seus olhos) Ô, mulher! (eles se beijam. Ela o joga na cama. Fazem sexo. De vez em quando, ele repete a frase. Terminam. Estão deitados um ao lado do outro) Ô mulher, viu? E aí, ainda quer sair correndo? Acho que não, to um pouco cansado. Vou fumar um cigarro ali na janela, quer? Não obrigado. Acho que vou cochilar. Você se incomoda? De jeito nenhum. Vou ficar aqui observando os carros. Mais tarde eu te acordo pra gente ir almoçar. (ela fuma, ele dorme. De repente, como num surto, ela coloca seu tênis e sai correndo por entre os carros. Antes, porém, escreve um bilhete: “fui comprar cigarros e já volto”. Detalhe: ela nunca mais voltou)
domingo, 6 de julho de 2008
Me deixe sozinho
Eu podia escrever um texto hoje. Mas achei desnecessário. O Paulinho Moska já escreveu. Eu seria mais prolixa. Ainda vou perguntar pra ele qual foi o contexto em que ele escreveu as linhas abaixo. Enfim, identifico. É o que eu escreveria hoje - se ele não tivesse escrito. E se eu tivesse mais talento. Ah, estou com saudades doídas. E com histórias pra contar. Esperem ligações essa semana... Beijo só pro lado B.
Me Deixe Sozinho
(Paulinho Moska)
Quem é que tá dentro de mim que eu não conheço?
Quem é aquele que eu tô vendo no espelho e acho que não pareço?
Será que tudo que acontece comigo eu realmente mereço?
Ou então pode ser que a minha alma tenha errado de endereço?
Escrevi meu nome num papel, mas não consigo encontrar
Ninguém me avisou que eu tinha que decorar
E agora eu ando pelas ruas da cidade pr'eu poder encontrar
Alguma pista, alguma chance pra eu ressuscitar
Mas se ninguém sabe nada de mim
Eu sigo o mesmo caminho
Se eu não tenho princípio, nem fim
Me deixe sozinho
Me Deixe Sozinho
(Paulinho Moska)
Quem é que tá dentro de mim que eu não conheço?
Quem é aquele que eu tô vendo no espelho e acho que não pareço?
Será que tudo que acontece comigo eu realmente mereço?
Ou então pode ser que a minha alma tenha errado de endereço?
Escrevi meu nome num papel, mas não consigo encontrar
Ninguém me avisou que eu tinha que decorar
E agora eu ando pelas ruas da cidade pr'eu poder encontrar
Alguma pista, alguma chance pra eu ressuscitar
Mas se ninguém sabe nada de mim
Eu sigo o mesmo caminho
Se eu não tenho princípio, nem fim
Me deixe sozinho
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Fugindo. Fingindo. Um texto da atriz.
Desculpe, meu querido, mas amanhã à noite vou ao teatro. Se você me pedir com jeito, pode ser que eu consiga um convite pra você. Mas pra isso, você vai precisar olhar nos meus olhos, e dizer que deseja a minha companhia. Eu posso muito bem ir sozinha. Ou convidar outras pessoas. Eu sei que você quer ir. Mas não vou convidar você, querido. Você terá que pedir. Acho que já lhe disse tudo o que tinha pra dizer. Já fiz demais por você. Agora quero um pouco em troca.
É uma pena, meu amor, mas amanhã à tarde vou ao cinema. Vou assistir aquele filme sobre o qual comentamos. Eu sei, você também está curioso para ver. Mas o cinema é grande, tem lugar pra nós dois. Se quiser ir comigo, você tem meu telefone. Basta ligar. Estou cansada de decifrar suas feições, descobrir seus pensamentos. Estou tentando simplificar. É só você dizer. Uma palavra apenas. Mas decidi que não vou adivinhá-la. Não dessa vez.
Eu realmente sinto muito, mas amanhã de manhã vou à praia sozinha. Estou precisando espairecer. Vou tomar uma água de coco, e ler um pouco ao sol. Pode ser que eu entre no mar. Estou precisando lavar a alma. Não, meu querido, não me incomodo com sua presença, mas também não quero ir a seu encontro. Se tiver vontade, você sabe onde eu fico. É só aparecer. Se puder, leve suas raquetes de frescobol. A gente precisa treinar. Estamos deixando a bola cair.
É triste admitir, mas não tenho tempo pra você esta noite. Reservei uma suíte de motel. Ainda não sei quem eu vou levar. Preferia que fosse você, mas não vou pedir sua companhia. Talvez eu deixe de me desvencilhar de quem não me merece, e ofereça a oportunidade. Mas hoje esse alguém não será você. Será que você me merece? Eu achava que sim, mas agora você vai ter que provar. Ainda estou disposta, mas espero um movimento seu.
Eu não queria dizer a verdade, mas o fato é que tenho compromisso pra todos os minutos que lhe interessam. Estou cansada de me doar a você no meu tempo livre. Posso ser sua, se você quiser. Você ainda pode me ter. Mas não vou mais me dar de presente. Você vai ter que vir me buscar. Você precisa sair de onde está, e vir até aqui. Precisa vir me pegar. Não quero ser mais coadjuvante. Quero ser a atração principal. Você quer investir? O corretor da bolsa é você, eu não entendo nada de lucros.
Vou ter que admitir, mas não estou nem aí pra você. Ou estou tão aí que não agüento mais. Eu quero você aqui perto. Mas você tem que querer vir. Sinceramente, estou cansada de implorar. Não estou me reconhecendo, não sei porque fiz isso por tanto tempo. Me perdoe, meu amor, mas eu não sou de pedir, sou de mandar. Mas nem isso eu quero mais. Nesse instante, estou indiferente. Estou vendo você se mexer. E não estou entendo a sua estratégia.
Eu lamento, meu querido, mas não somos mais adolescentes. Somos adultos. E jogos de adultos são muito chatos – e eu sou impaciente. Se você é atleta, devo dizer que sou atriz. Você pode ser ágil, mas eu sei mentir melhor. É por isso que não gosto de jogar. Eu não quero ganhar, o que eu quero é chegar junto. Mas pra isso você precisa andar. Não posso te levar nas costas, você é mais pesado do que eu. Eu sou mais forte do que você? Talvez você tenha razão, mas decidi guardar a força na gaveta. Agora quero entrar em casa carregada. Quero descansar do peso do meu corpo.
Sofro por isso, coisa linda, mas é preciso dizer a verdade. Eu precisava te contar que não vou usar a magia. Estou desistindo de lutar. Não posso ganhar uma guerra por você, se você ainda não decidiu porque quer brigar. É por isso que eu digo: por favor, apresente suas armas. Estou no meio do campo de batalha vazio. Já estou tirando minha armadura. Vou me despir pro mundo. Vou encontrar outrem. Eu queria que essa pessoa fosse você. Um você mais decidido. O você que eu conheci. Mas estou cansada de esperar você voltar. Às vezes você decidiu se mudar e eu ainda não compreendi. Estou com o pó de pirlimpimpim na mão, mas vou jogá-lo em cima de mim, não de você. Eu continuo aqui. E você, onde está?
É uma pena, coração, mas estou te deixando ir embora. Não aos poucos, de uma vez. Estou abrindo a porta pra você sair. Estou te dando um prazo. Curto. Estou te dando um último aviso: ou você entra e tranca a porta, ou eu mesmo vou trancá-la e deixar você de fora.
Eu sinto muito, amor. Sinto mesmo. Mas eu preciso de um homem que você não sabe se quer ser. Um homem que você já foi um dia. Eu estou cansada de segurar as pontas. Eu quero ser mulherzinha. Quero deitar nos braços de um homem e me sentir acolhida. Sentir que estou em casa. Mas hoje em dia o apartamento sou eu, e meu braço já está cansado.
É por isso que estou desistindo. Porque já estou dormente demais. Já estou parando de sentir. Talvez, se você sair de cima de mim, a circulação volte ao normal. Talvez a gente consiga deitar um ao lado do outro – com a minha perna por cima. Estou cansada de ficar por baixo. Cansada de sustentar você.
Eu sinto muito, amor, mas este é o último sorriso que te dou. Repare bem, porque ele é sincero. Ele está cheio de amor. Mas ele vai se desvanecer em instantes, levando consigo um pouco da minha ingenuidade. É uma pena, querido, mas agora vou sorrir pro mundo. Vou procurar alguém que me sorria de volta. Não, eu não vou parar de sorrir. Mas o tempo está contra você. A qualquer momento eu posso me encantar por outros dentes. Mas você terá o seu tempo – curto – para se decidir. Eu estou de olhos abertos. Estou aqui, no mesmo lugar.
Mas apresse-se querido. Eu não queria que fosse em vão. É uma pena. Uma grande pena. E eu sinto muito...
É uma pena, meu amor, mas amanhã à tarde vou ao cinema. Vou assistir aquele filme sobre o qual comentamos. Eu sei, você também está curioso para ver. Mas o cinema é grande, tem lugar pra nós dois. Se quiser ir comigo, você tem meu telefone. Basta ligar. Estou cansada de decifrar suas feições, descobrir seus pensamentos. Estou tentando simplificar. É só você dizer. Uma palavra apenas. Mas decidi que não vou adivinhá-la. Não dessa vez.
Eu realmente sinto muito, mas amanhã de manhã vou à praia sozinha. Estou precisando espairecer. Vou tomar uma água de coco, e ler um pouco ao sol. Pode ser que eu entre no mar. Estou precisando lavar a alma. Não, meu querido, não me incomodo com sua presença, mas também não quero ir a seu encontro. Se tiver vontade, você sabe onde eu fico. É só aparecer. Se puder, leve suas raquetes de frescobol. A gente precisa treinar. Estamos deixando a bola cair.
É triste admitir, mas não tenho tempo pra você esta noite. Reservei uma suíte de motel. Ainda não sei quem eu vou levar. Preferia que fosse você, mas não vou pedir sua companhia. Talvez eu deixe de me desvencilhar de quem não me merece, e ofereça a oportunidade. Mas hoje esse alguém não será você. Será que você me merece? Eu achava que sim, mas agora você vai ter que provar. Ainda estou disposta, mas espero um movimento seu.
Eu não queria dizer a verdade, mas o fato é que tenho compromisso pra todos os minutos que lhe interessam. Estou cansada de me doar a você no meu tempo livre. Posso ser sua, se você quiser. Você ainda pode me ter. Mas não vou mais me dar de presente. Você vai ter que vir me buscar. Você precisa sair de onde está, e vir até aqui. Precisa vir me pegar. Não quero ser mais coadjuvante. Quero ser a atração principal. Você quer investir? O corretor da bolsa é você, eu não entendo nada de lucros.
Vou ter que admitir, mas não estou nem aí pra você. Ou estou tão aí que não agüento mais. Eu quero você aqui perto. Mas você tem que querer vir. Sinceramente, estou cansada de implorar. Não estou me reconhecendo, não sei porque fiz isso por tanto tempo. Me perdoe, meu amor, mas eu não sou de pedir, sou de mandar. Mas nem isso eu quero mais. Nesse instante, estou indiferente. Estou vendo você se mexer. E não estou entendo a sua estratégia.
Eu lamento, meu querido, mas não somos mais adolescentes. Somos adultos. E jogos de adultos são muito chatos – e eu sou impaciente. Se você é atleta, devo dizer que sou atriz. Você pode ser ágil, mas eu sei mentir melhor. É por isso que não gosto de jogar. Eu não quero ganhar, o que eu quero é chegar junto. Mas pra isso você precisa andar. Não posso te levar nas costas, você é mais pesado do que eu. Eu sou mais forte do que você? Talvez você tenha razão, mas decidi guardar a força na gaveta. Agora quero entrar em casa carregada. Quero descansar do peso do meu corpo.
Sofro por isso, coisa linda, mas é preciso dizer a verdade. Eu precisava te contar que não vou usar a magia. Estou desistindo de lutar. Não posso ganhar uma guerra por você, se você ainda não decidiu porque quer brigar. É por isso que eu digo: por favor, apresente suas armas. Estou no meio do campo de batalha vazio. Já estou tirando minha armadura. Vou me despir pro mundo. Vou encontrar outrem. Eu queria que essa pessoa fosse você. Um você mais decidido. O você que eu conheci. Mas estou cansada de esperar você voltar. Às vezes você decidiu se mudar e eu ainda não compreendi. Estou com o pó de pirlimpimpim na mão, mas vou jogá-lo em cima de mim, não de você. Eu continuo aqui. E você, onde está?
É uma pena, coração, mas estou te deixando ir embora. Não aos poucos, de uma vez. Estou abrindo a porta pra você sair. Estou te dando um prazo. Curto. Estou te dando um último aviso: ou você entra e tranca a porta, ou eu mesmo vou trancá-la e deixar você de fora.
Eu sinto muito, amor. Sinto mesmo. Mas eu preciso de um homem que você não sabe se quer ser. Um homem que você já foi um dia. Eu estou cansada de segurar as pontas. Eu quero ser mulherzinha. Quero deitar nos braços de um homem e me sentir acolhida. Sentir que estou em casa. Mas hoje em dia o apartamento sou eu, e meu braço já está cansado.
É por isso que estou desistindo. Porque já estou dormente demais. Já estou parando de sentir. Talvez, se você sair de cima de mim, a circulação volte ao normal. Talvez a gente consiga deitar um ao lado do outro – com a minha perna por cima. Estou cansada de ficar por baixo. Cansada de sustentar você.
Eu sinto muito, amor, mas este é o último sorriso que te dou. Repare bem, porque ele é sincero. Ele está cheio de amor. Mas ele vai se desvanecer em instantes, levando consigo um pouco da minha ingenuidade. É uma pena, querido, mas agora vou sorrir pro mundo. Vou procurar alguém que me sorria de volta. Não, eu não vou parar de sorrir. Mas o tempo está contra você. A qualquer momento eu posso me encantar por outros dentes. Mas você terá o seu tempo – curto – para se decidir. Eu estou de olhos abertos. Estou aqui, no mesmo lugar.
Mas apresse-se querido. Eu não queria que fosse em vão. É uma pena. Uma grande pena. E eu sinto muito...
quinta-feira, 3 de julho de 2008
A beleza de se emputecer
Hoje me emputeci. Me emputeci como há tempos não me emputecia. Não sei se vocês entendem exatamente o que quero dizer com isso. Não, me emputecer não tem nada a ver com ter raiva de alguém, ou com qualquer outro sentimento ruim em relação a alguma coisa. Emputecer-se, nesse caso, significa tomar uma atitude. É que às vezes a vida faz corpo mole. Vagaroseia. E quando isso acontece, a gente, normalmente, aceita. Espera. Mas hoje, ao contrário, me emputeci. E resolvi escrever o destino com meus próprios punhos. A bico de pena. Saí linda e loira, caminhando pela estrada que eu mesma desenhei. Hoje fui a uma agência que deveria ter ido há muito tempo. Mas que achava desnecessário. Pois fui lá. Entrei como se estivesse sendo esperada. A coluna ereta, a cabeça erguida. Conversei com a convicção que tenho dentro, mas que disfarço por fora. Hoje fui eu, não me escondi. Não sei se vai dar algum resultado. Mas fiz o que tinha que fazer. Saí de lá, e a atitude óbvia seria voltar para casa. Mas hoje eu estava emputecida, e fugi delicadamente do óbvio. Parei no Leblon. Resolvi passear. Caminhei pelas ruas como quem tem milhares de amigos ao redor. Estava sozinha. Fui ao shopping, entrei em lojas, experimentei roupas. Comprei uma blusa – gastei um dinheiro que não tinha e que, portanto, não poderia gastar. E fiquei satisfeitíssima. Resolvi passear mais. Outro shopping. Liguei pra um amigo. Andei pelas ruas. E descobri que me emputecer trouxe ao meu rosto uma beleza de dentro. Ao corpo todo, na verdade. Nunca fui tão notada. Devia ter algum sorriso misterioso, não sei. O fato é que chamei atenção. Sozinha. Jeans e camiseta pelas ruas do Leblon. Olhei vitrines. Olhei pessoas. Emputecer-se traz também outro olhar. Olhei as mesmas coisas de sempre com olhos que nunca tive. Desfrutei de minha própria companhia como há tempos não desfrutava. Atravessei o bairro. Observei os bares. Queria ir ao Cafeína perto da casa que o garoto de olhos azuis se hospeda, quando vem ao Rio. Caminhei. Observando e sendo observada. Cheguei. Pedi o cardápio. Resolvi inovar. Um hot fudge, por favor. Pequeno. Uma xícara de puro chocolate ao leite derretido. Não podia, a circunferência abdominal não permite. Mas hoje estava emputecida, e não quis saber. Um deleite. Um pouco sensual demais, talvez. Um prazer a cada colherada. Enquanto deliciava aquela xicarazinha, uma música me veio à cabeça. Uma que fala sobre um certo bar leblon. Versão do Alceu com a Elba. Não sei direito a letra. Mas a melodia estava lá. Terminei o chocolate. Acendi um cigarro. Aproveitei cada trago da minha companhia. Sem pressa. Obtive um prazer quase sexual. Pseudocoital, como, outrora, eu denominava. Pedi a conta. Paguei. Enquanto estava levantando, tentando me organizar entre a sacola, a bolsa e o casaco, o Alceu passou pelo Cafeína. Parou do lado da minha mesa, só pra ser simpático com o garçom. Não acredito mais em coincidências. Ele sorriu para mim. Sorri de volta. Compreendi que, quando a gente se emputece, o pensamento se torna magnético. Porque aquela melodia na cabeça? O acaso me mostrou o funcionamento das coisas. Caminhei mais um pouco pelas ruas do bairro. Peguei um ônibus para casa. Da janela, uma cidade que talvez eu nunca tivesse visto. Luminosa. Cheguei, sem muita vontade de entrar. O telefone tocou e, sentada na escada, passei a próxima meia hora. Subi. Olhei a casa também com outros olhos. Meio-amargo. Lembrei-me do chocolate. Reli o e-mail com mais um não. Queria fazer parte daquele projeto. Emputecida que estava, escrevi um resposta a ele. O natural seria aceitar. Mas fiz um apelo. Eu sei que poderia ajudar. Não sei se vai dar certo, mas sei que fiz o que tinha que fazer. Tentei mudar o curso das coisas, desenhando uma nova estrada. A estrada pela qual quero caminhar. Deveria fazer isso sempre. Mas sou fraca. Hoje não, porque me emputeci. E espero manter-me emputecida por algum tempo. Emputeçam-se. Taí outra coisa que recomendo. Emputecer-se é uma forma de auto-conhecimento. Um olhar-para-dentro-e-botar-para-fora. Um jeito de meter o bedelho naquilo que dizem que não nos diz respeito. Só nós mesmos sabemos o que nos diz ou não respeito. Hoje fiquei sozinha como há tempos não ficava. Sozinha, não solitária. Hoje fiquei sozinha e descobri que sou uma ótima companhia. A melhor. Me diverti. Sorri. E carreguei várias pessoas. Carreguei vocês, como carrego sempre. Mas hoje me levei junto. Hoje estive comigo. Hoje fui eu, disse tudo que pensava, não medi as palavras. Hoje fui só sorrisos, resgatei a minha essência. E descobri que emputecer-se, às vezes, é um modo de se acalmar. Jeans e all star. Sorriso estranho no rosto, passeando pela cidade. Andando por um caminho que eu mesma criei.
terça-feira, 1 de julho de 2008
CHUTA QUE É MACUMBA!
Sempre tive vontade de escrever coisas sobre religião e espiritualidade, mas mor-ro de preguiça. Acho chato. Papo ruim. Mas algumas coisas estão querendo sair, e eu me propus a não trancá-las aqui dentro. Por isso crio, agora, a coluna “Chuta que é macumba”. É fácil: não está com vontade de ler sobre isso? Pula os textos dessa série. Vou colocar bem no título, vai ficar fácil identificar. Não sei com qual freqüência escreverei sobre isso. E não faço a menor idéia do que irei escrever. Mas tenho a ligeira impressão que estes textos vão se tornar cada dia mais engraçados. É uma sensação. Quer saber? Recomendo. Aí vai o primeiro. Ah, e se puderem comentar, vou achar ótimo. Afinal, se for um consenso que a coluna é péssima, posso reconsiderar e poupar-nos desses escritos.
Um brinde a nós!
E chuta que é macumba!
Um brinde a nós!
E chuta que é macumba!
CHUTA QUE É MACUMBA!: Sobre deus e os humanos
Verdade seja dita: o homem criou “Deus” para justificar a existência. Tornar a vida um pouco menos pesada, criar um sentido. Nem condeno. A bem da verdade, é uma atitude inteligentíssima. Não é fácil conviver com a falta de sentido. A gente, na vida, está sempre tentando organizar. Ver as coisas com mais clareza. Separar tudo em pequenos pacotes, pra que a prateleira fique bem arrumada. É porque dentro das caixas, a bagunça já está feita. A gente gosta de manter as aparências. Esteticamente. Assim foi com a invenção de Deus. A vida tava uma bagunça. É como disse o filósofo: “se deus não existe, então tudo é permitido”. Resolveram criar regras. E para criar as regras, criaram a alegoria. Inventaram, fantasiaram, transformaram. A doutrina cristã não é nada além de um código de condutas. Um conjunto de normas no qual o individuo deve se encaixar para que seja perdoado de seus pecados na hora de sua morte. Mas é como diz também o músico: “o perdão é que possibilita o nascimento da culpa”. Criaram uma parábola com causas e conseqüências. E depois inventaram os pesos e as medidas – para cada culpa, uma pena. Tentaram, com isso, conter os mais animais ímpetos humanos. Os taxaram de cruéis, anormais, frios. Acho ótimo. Não posso negar que a batuta da religião trouxe um pouco de moral aos bárbaros. A tal culpa cristã. Mas o tiro saiu um pouco pela culatra. Não era o que queriam, mas a alegoria acabou sendo maior do que o código moral. O deus-e-o-diabo, o céu-e-o-inferno, o bem-e-o-mal acabaram sendo maiores do que o cotidiano dentro da doutrina. Pequenos pecados viraram piada, e a religião, moeda de troca: são dez ave-marias por uma trepada. Aí ficava fácil. Só os dez mandamentos é que se mantiveram mais ou menos intactos (não vou tocar na questão do adultério!). É porque neles, sua atitude em contrário prejudica o outro. E o outro é sagrado. Criado à imagem e semelhança de deus. Os sete pecados capitais se banalizaram. Incorporaram-se ao cotidiano. Não temos nem mais vergonha, ao admiti-los. Mas me sentei aqui para escrever sobre a alegoria. É ela que me interessa. Por cima das várias camadas de culpa cristã, está o céu. Paraíso perfeito, ideal buscado. Repouso eterno depois da morte em terra. Vida após a vida. Vida após a morte. É sobre isso que vim falar. Pois, a bem da verdade, o homem criou “Deus” pra justificar a existência. Justificar a vida – sem justificativa. Criou-se a idéia de que viver é um preço a se pagar. Cumprida a pena, vamos todos ser felizes em cima das nuvens. Por isso os pobres agüentam todo o peso da vida. Por isso os ricos são ateus. E assim vai-se levando. O mais miserável cristão ri de sua miséria, pois acredita que no fim, vai subir e tocar harpa. A vida após a morte cria também um comodismo social. Se é preciso pagar esse preço para ser feliz pela eternidade, pago com gosto. Comendo farinha e rapadura – pelo menos há o que comer. E os políticos todos, ao contrário, roubam e gastam sem dó. Pois crêem, convictos: finda a vida, morre também a alma, e com ela as culpas. Tratemos de pecar!
Não sei, de fato, o que ocorre depois da morte. Ninguém sabe – que isso fique bem claro. Mas acho importantíssimo o papel da religião. Acharam que eu tinha vindo aqui pra fuder com ela, não é? Ah, mas enganaram-se. Vim exaltá-la. Babo ovo da religião nesse sentido. Cá pra nós, não é todo mundo que está preparado pra saber que depois da morte, há morte. Há nada. Silêncio. Sono sem sonhos... Ia ser a convulsão do sistema. O caos, o apocalipse. Escrevo essas coisas e rio. Acho graça em tudo isso. Imaginem vocês se fosse provado que esta é nossa última chance. Nossa única. Veríamos cada coisa. Ia ser cada máscara espalhada pelo chão... e cada barbaridade contra a vida! A grande questão é que o humano, ser pensante, precisa, anseia, espera uma justificativa. Racionalmente, não acredita que todo esse circo social tenha sido armado sem nenhum propósito. Mas o propósito está claro. Coisa de biologia. O circo se arma pela perpetuação da espécie. Só ficam os mais adaptados – embora a adaptação hoje tenha muito menos a ver com a genética do que com a economia. Enfim, estou divagando. É que o fato de o céu não existir, não livra a gente do capeta. O inferno é a consciência. O paraíso é a vida. Eles não entenderam... e está tudo óbvio. O que a bíblia ensina é a massa amalgamada que é a vida na terra. Só que dividida em fatias, para melhor ilustração. E os que não entendem de gráficos ficam, bobos, crendo em camadas. E não desfrutam o bolo como deveriam. Completo.
É por essas e por outras que sou contra os fundamentalistas. Odeio crente – no sentido geral. Que o cara acredite em alguma coisa, faça dela o sentido da sua vida, vá lá. Cada um com seu cada qual. É o livre arbítrio, não quero discutir. Meu problema com os crentes é a catequese. A divulgação, o derrame, a obrigação. Porque crêem naquilo, pensam que todos precisam crer também. Que essa é a função deles. Não importa se depois da morte eles vão se deitar com as mil virgens ou pedir licença à portaria de São Pedro. Dá no mesmo. Meu problema com eles é funcional. Ou melhor, é um problema literário. Não agüento o assunto. Papo ruim. Cheio de ameaças. “Deus castiga”, “assim você vai pro inferno”, “isso não pode”, “pecado mortal”. Ai. Puta cara ruim esse deus que eles arrumaram. O cara que era pra ser do bem, compreender seus deslizes, te ajudar a achar o caminho certo, acabou se tornando um carrasco, símbolo da repressão e do medo. E isso tem é tempo... desde a Idade Média! Direito divino dos reis, lembram disso? Ótima análise, era menos velada nesse tempo: deus = déspota, tirano. Assim fica claro o sentido da religião. Não precisamos mais discutir.
Agora mudando de assunto, ia ser boa uma vidinha depois dessa morte, não é não? Mais uns minutinhos no play! Eu não creio, mas ia adorar a surpresa. Não creio, mas também não vivo cada dia como se fosse o último. Não dá pra viver. O coração não aceita a urgência. Enfarta. Somos frágeis. Temos que admitir. Somos só um pinguinho do mundo. Não sabemos nada. Vivemos na ignorância. Mas é melhor assim.
Eu tenho pena é dos crentes... foram buscar deus, e só encontraram o diabo!
Não sei, de fato, o que ocorre depois da morte. Ninguém sabe – que isso fique bem claro. Mas acho importantíssimo o papel da religião. Acharam que eu tinha vindo aqui pra fuder com ela, não é? Ah, mas enganaram-se. Vim exaltá-la. Babo ovo da religião nesse sentido. Cá pra nós, não é todo mundo que está preparado pra saber que depois da morte, há morte. Há nada. Silêncio. Sono sem sonhos... Ia ser a convulsão do sistema. O caos, o apocalipse. Escrevo essas coisas e rio. Acho graça em tudo isso. Imaginem vocês se fosse provado que esta é nossa última chance. Nossa única. Veríamos cada coisa. Ia ser cada máscara espalhada pelo chão... e cada barbaridade contra a vida! A grande questão é que o humano, ser pensante, precisa, anseia, espera uma justificativa. Racionalmente, não acredita que todo esse circo social tenha sido armado sem nenhum propósito. Mas o propósito está claro. Coisa de biologia. O circo se arma pela perpetuação da espécie. Só ficam os mais adaptados – embora a adaptação hoje tenha muito menos a ver com a genética do que com a economia. Enfim, estou divagando. É que o fato de o céu não existir, não livra a gente do capeta. O inferno é a consciência. O paraíso é a vida. Eles não entenderam... e está tudo óbvio. O que a bíblia ensina é a massa amalgamada que é a vida na terra. Só que dividida em fatias, para melhor ilustração. E os que não entendem de gráficos ficam, bobos, crendo em camadas. E não desfrutam o bolo como deveriam. Completo.
É por essas e por outras que sou contra os fundamentalistas. Odeio crente – no sentido geral. Que o cara acredite em alguma coisa, faça dela o sentido da sua vida, vá lá. Cada um com seu cada qual. É o livre arbítrio, não quero discutir. Meu problema com os crentes é a catequese. A divulgação, o derrame, a obrigação. Porque crêem naquilo, pensam que todos precisam crer também. Que essa é a função deles. Não importa se depois da morte eles vão se deitar com as mil virgens ou pedir licença à portaria de São Pedro. Dá no mesmo. Meu problema com eles é funcional. Ou melhor, é um problema literário. Não agüento o assunto. Papo ruim. Cheio de ameaças. “Deus castiga”, “assim você vai pro inferno”, “isso não pode”, “pecado mortal”. Ai. Puta cara ruim esse deus que eles arrumaram. O cara que era pra ser do bem, compreender seus deslizes, te ajudar a achar o caminho certo, acabou se tornando um carrasco, símbolo da repressão e do medo. E isso tem é tempo... desde a Idade Média! Direito divino dos reis, lembram disso? Ótima análise, era menos velada nesse tempo: deus = déspota, tirano. Assim fica claro o sentido da religião. Não precisamos mais discutir.
Agora mudando de assunto, ia ser boa uma vidinha depois dessa morte, não é não? Mais uns minutinhos no play! Eu não creio, mas ia adorar a surpresa. Não creio, mas também não vivo cada dia como se fosse o último. Não dá pra viver. O coração não aceita a urgência. Enfarta. Somos frágeis. Temos que admitir. Somos só um pinguinho do mundo. Não sabemos nada. Vivemos na ignorância. Mas é melhor assim.
Eu tenho pena é dos crentes... foram buscar deus, e só encontraram o diabo!
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