Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
domingo, 12 de outubro de 2008
Sobre os incompetentes
Se há uma coisa que me irrita na vida é trabalhar com gente incompetente. Os incompetentes são seres gelatinosos e borrachudos que, não raramente, colocam a culpa de suas incapacidades nas costas de outras pessoas. Para os incompetentes, sempre há algum empecilho responsável pelo seu mau desempenho. Há sempre uma fatalidade, uma eventualidade, uma contingência. Incompetentes são invasivos. E críticos por excelência. Para eles, nada melhor do que futricar a sua vida e descobrir suas fragilidades. Eles sabem que num momento de extrema necessidade, poderão usar essas falhas contra você. Porque os incompetentes são, em geral, vingativos. Mais mal-amados e carentes do que vingativos. Mas um carente ofendido, ferido em seu brio, normalmente visa um megalomaníaco troco, de preferência em moeda de maior valor. Outra coisa sobre os incompetentes, é que eles se acham competentes em diversas áreas: são cozinheiros, pintores, jornalistas, músicos, escritores, farmacêuticos, filósofos, cineastas, atores, economistas, motoristas, atletas, cantores, professores, dançarinos, malabaristas, políticos, e pegadores – tudo ao mesmo tempo! Eles julgam que suas incursões por várias áreas do conhecimento se devem à sua grande versatilidade, e não à sua falta de real destaque em uma delas. Uma pessoa que reunisse todos os talentos que os incompetentes julgam ter, seria, na verdade, um pequeno gênio. Digno de admiração e reverência. Mas os incompetentes, gelatinosos e borrachudos, nos causam, na verdade, um certo enjôo. Náuseas. Eles são como gosmas nojentas, que grudam em nossos sapatos, e vão nos acompanhando durante a vida. E a caminhada é longa. Dia após dia, aquele chiclete vai nos enervando, nos impedindo de prosseguir mais rápido. Incompetentes têm o dom de atravancar a vida dos outros. São responsáveis por inomináveis dores de cabeça – pras quais eles mesmos receitam remédios. Causam doenças estomacais, crises nervosas, distúrbios de humor. Os incompetentes estão espalhados por todos os lugares. São como baratas, resistentes. Não adianta destruir um: sempre haverá outro para ocupar o seu lugar. Uma grande dedetização de incompetentes, só nos fará deixar de percebê-los por algum tempo. Mas eles estarão sempre lá: escondidos embaixo dos móveis, se movendo rápidos pelas paredes. Nos observando; nos vigiando; sempre prontos a interromper nossa produtividade em prol de uma bobagem qualquer. Porque incompetentes sempre julgam seus problemas maiores do que os dos outros. E estão sempre delegando! Incompetente que é incompetente, está sempre te pedindo pra fazer alguma coisa: dar um telefonema, mandar um e-mail, confirmar uma reunião... Tenho a impressão de que nas grandes companhias, se todos os incompetentes fossem mandados embora, os competentes, auxiliados pelos funcionários medianos, dariam conta de todo o trabalho em um tempo talvez menor. Porque os incompetentes estão sempre botando água no feijão. Adiando decisões, dificultando comunicações, perturbando. O que poderia facilmente ser resolvido por um telefonema, para os incompetentes se transforma em correntes de e-mail, spams, malas diretas, mensagens de texto, cartas via sedex e código Morse. Tudo na rapidez da lentidão. Mas definitivamente, o que mais me irrita nos incompetentes é a sua particular calma. Estão sempre nos olhando com aquela cara de pamonha, como se não entendesse o porquê de nosso desespero. Parecem zombar da nossa falta de paciência, com aquele olhar plácido de quem não sabe o que está fazendo de errado. São carentes os incompetentes, já disse. E devo admitir: são, em sua maioria, bem-intencionados. Sua falta de praticidade e objetividade se deve a um desarranjo universal, cósmico, divino, que vai além de sua boa vontade. Um incompetente bonzinho é digno de pena. Mas não tem salvação: eles são irremediáveis. A não ser em casos isolados, nos quais a mudança da área de atuação os torna brilhantes! Os incompetentes podem apenas ser aqueles que ainda não se encontraram. O que não justifica o fato de nos fazerem perder a paciência. Incompetentes são irritantes, são enervantes, são gosmentos. Eu, hoje, estou coberta por essa baba espessa, tentando, a todo custo, dar um passo à diante. Mas se você quer saber, acho que vou radicalizar! Nada melhor do que tirar os sapatos...
Marcadores:
cotidiano,
crítica,
incompetência,
reclamação,
trabalho
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Nossa você realmente tava precisando exorcizar seu horror à incompetência! :)
Além da incompetência, eu me irrito muito também com a burrice alheia. E também fico às raias da loucura quando alguém me olha com aquela cara de calma quando estou no meio de uma emergência pra resolver alguma coisa.
Só não concordo inteiramente quando vc diz que quem faz várias coisas é sempre incompetente em todas. Eu conheço bastante gente que é no mínimo ótimo artista e excelente cozinheiro.
lembrando que nem tudo que eu escrevo no blog eu de fato penso... são só invenções! e neste caso foi um desabafo, uma caça às bruxas. e como toda caça às bruxas, foi um pouco injusto.
é claro que há várias pessoas que fazem milhões de coisas com habilidade, mas elas não costumam se gabar por isso: os incompetentes sim, rs.
ah! e eu também odeio burrice alheia! obrigada pelo comentário! bjobjo
um viva para a caça as bruxas!
VIVA!
Postar um comentário