quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Notícias para uma miguxa

Miguxa, querida! Sei que você se preocupa com a minha felicidade – ou a falta dela – nessas minhas aventuras no país das maravilhas. E é por isso que te escrevo hoje. Escrevo pra contar que estou ótima. Com saudades, é claro. Mas muito feliz, como há tempos não me sentia. O motivo? Não há motivos, apenas um brilho diferente nos olhos. Acho que virei mulher. Sabe assim? De uns minutos pra cá? Percebi que está tudo dando tão certo, que estou tão adaptada aqui, que tenho a minha vida independente – embora ainda dependa de dinheiro alheio – mas que isso também é uma contingência passageira, que não deve durar muito mais tempo. Descobri que sou nova ainda, muito nova, e devia parar de me cobrar tanto. Talvez esteja assim porque errei. Profissionalmente, ontem não fui muito bem sucedida em uma das minhas apresentações, o que me deixou, na verdade, ótima! Nada como aprender com os erros. Na verdade, nada como lembrar que errar não é tão mal assim. Todo mundo erra. O tempo todo. E como é divertido dar a cara à tapa! Lembrei-me, de certa forma, dos motivos que me trouxeram aqui. E arriscar-me mais foi, com certeza, um deles. Estou feliz, amiga. E tenho saudades. Cortei os cabelos. Ficou bonito, você ia gostar. Está me dando um certo trabalho, é verdade, mas está mais leve. Combinando com esta minha nova cara. Uma nova roupagem. O cigarro? Ainda não consegui largar. Mas estou mais satisfeita com a nossa relação agora. Um pouco mais esporádica e menos necessária. Não sei se acredito no fim definitivo, mas tenho fé no ‘um dia depois do outro’. Esse prazer misturado ao vício é sempre complicado. Fui ao cinema hoje. Por aqui, está tendo festival de cinema, você deve saber. Não tenho assistido muitas coisas, confesso. Mas hoje vi dois documentários: um curta e um longa. Dois artistas. Dois filmes inspiradores. Estou com saudades dos amigos. Convide-os para uma cerveja, e façam um brinde por mim. Mas só os amigos. Os bons amigos. Tenho lembrado muito de vocês. Acho que não falo muito sobre o quanto vocês são importantes para mim, né? Mas são. Muito. Amo vocês de um amor tão puro e sincero, que choro, com um sorriso no rosto. Amo vocês porque nada nos prende, e ainda assim estamos juntos, mesmo na distância. Amo vocês porque sempre que tenho uma novidade é pra vocês que penso em contar. É a reação de cada um que me vem à memória. São os sorrisos que vivemos juntos, as lágrimas, as bebices. Tenho saudades da bagaça também, mas tenho me encontrado por aqui. Em algumas esquinas, alguns olhares. Estou feliz, amiga. Eu estou me dando a oportunidade de tentar e conseguir. De tentar e fracassar. De fazer a minha parte. E embora eu tenha que me distanciar de vocês para fazer isso, está me valendo muito a pena. Agora estou procurando apartamento, chatice que tem me tomado boa parte do tempo. Mas não reclamo. Estou doida pra encontrar um logo, pra que vocês possam vir passar o final de semana comigo. Mas por enquanto só tenho achado velharia. Com calma. Um dia depois do outro, lembra? Como a máxima do A.A.. Tenho bebido bem pouco, falando nisso. A cerveja aqui não tem a mesma graça que a daí. Deve ser a companhia... E champanhada, por aqui, é coisa impossível. Você tem andado um pouco relapsa também! Mandei um e-mail te cobrando as fotos de quando vocês vieram aqui, e nada! Nem resposta. Se puder, escreva-me. Quero notícias da nossa querida trupe e da senhorita. Avise ao marido para se preparar: nem estou reclamando muito, ele vai estranhar. E por favor, da próxima vez que eu aparecer na terrinha, quero um evento exclusivo no seu ap mal-assombrado! Desta última vez nem conseguimos botar as fofocas em dia adequadamente. Bom, é mais ou menos por aí. Escrevi só porque a saudade doeu, e porque quando escrevo, você costuma responder. Escrevi porque estou feliz, e queria que você também estivesse. Escrevi porque eu acho que a gente é parecida, e hoje eu descobri que preciso me cobrar menos. E talvez a minha descoberta valha para você também. Então escrevi para te lembrar! Não se cobre tanto, miguxa. A vida não é tão chata quanto a gente pinta. Ela é leve, como bolinhas de sabão – que podem estourar a qualquer momento. Aproveite seu dia. Aproveite a vida. Somos novas ainda, com milhares de coisas pela frente. Permita-se errar. Na nossa idade, ainda dá tempo de consertar, caso a gente queira. Só tente não magoar as pessoas – pelo menos não as importantes. Eu, por aqui, tenho tentado fazer dessa forma, e tem funcionado muito bem. Se quer uma sugestão, corte os cabelos. Às vezes, eles são um peso desnecessário nas nossas vidas. E nada melhor do que uma cara nova. Sorria amiga! Estou morrendo de saudades. Mas estou feliz, como há tempos não ficava. Sinto falta de vocês. Mas estou tão bem que me sinto perto. Espero que vocês também estejam por aqui. Próximos. Em paz. Estou com saudades. E estou feliz; radiante. Beijos.

4 comentários:

Marcela Sena disse...

esta saudade nao tem fim!!!
=))))

Alma de menino disse...

Fgá, nem sei se deveria comentar essa, pois é tão pessoal e intransferível... Mas como está publicado aqui, acho que posso. Que grata surpresa ler você aqui. Não que eu duvidasse de seu talento, mas me foi tão prazeroso que resolvi escrever. Por vezes me sinto como você, meio "nêgo novo em terra estranha". E olha que estou por aqui há uns dias... rsrsrs
Beijos!
Zé Maguia (o Lobato).

Samuel Averbug disse...

Acabo de sobrevoar teu blog e só foi uma passada de olho no texto Umbigo, pra ver que a Gabriela tava certa ao dizer o texto dela é ótimo... No mais, concordo contigo:
Errei? Merda... Tomo um banho e tou limpo. Corrijo o rumo e sigo.

Talvez a cerveja carioca sem a companhia mineira. sei não? E quanto aos homens... a mineira é um ser essencialmente tímido. Os ares do Rio devem ter efeito contrário nesse sentido. Vide Rosana e você.
Conhece aquele lugar comum que diz que carioca vai pra Minas (no carnaval ou não) já que as minas 'ficam doidinhas quando vêm a gente”? Será?

Talento sobra em ti, acredite. Escreva, diga, improvise, dê uma volta, reescreva, persista, ensaie e, principalmente respire fundo e, na hora h, vai fundo!”

Beijo,

Samuel

Bruno M. Bruim disse...

Lindo texto... o sentimento eh quase plausivel...