Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Fofoquinhas sobre a nova vida de casada...
Quem me conhece sabe das malfadadas peripécias do meu primeiro casamento. O Casamento-Relâmpago. Recuso-me a contá-las aqui. A experiência foi tão absurda que achei que nunca mais dividiria o mesmo teto com alguém. Fiquei traumatizada por meses. Sim, eu sei: sou muito jovem ainda, imatura, ele era insuportável, cheio de manias... Casamento fadado ao erro! Mas eis que trago a notícia bombástica: acabo de começar uma nova ‘união estável’. Precipitada; impensada? Sei lá! Acho que pra quebrar esse paradigma de inteligência, resolvi mostrar que não, eu não aprendo com os erros. Estou oferecendo a outra face. Escolada, porém, dessa vez impus algumas regras! Graças a muita ralação, pudemos alugar um bom apartamento de dois quartos: suíte, quarto, banheiro social, sala pra dois ambientes, lavabo, cozinha, e o principal: uma mega varanda! De cara, concordamos em colocar uma rede nela. Uma rede, e uma mesinha – mobília decidida. Nas salas, a televisão dele, meu dvd, um sofá lindo que a gente comprou num brechó e duas poltronas; a mesa do escritório dele (que cabe a impressora e nossos laptops lado a lado, no maior amor), um aparador, e a mesa nova de jantar. Quanto aos quartos, decidi o seguinte: um meu outro dele. É óbvio que, a princípio, ele não entendeu muito bem a idéia. Mas como a minha capacidade de persuasão é um pouco acima da média, no fim das contas, além de adorar, ele acabou achando que a sugestão tinha partido dele. Empecilho resolvido, combinamos assim: a suíte, é claro, ficaria comigo. Mas ela seria também o quarto oficial. Resultado: os armários abrigam as minhas roupas e todas as outras tralhas da casa. O quarto dele, um brinco! Só uma meia-dúzia de coisas. E o resto do armário vazio, já que aquele é o quarto oficial de hóspedes! Bem espertinho ele... Deixei. Afinal, não trocaria o conforto da suíte por nada. Na cozinha, minhas taças disputam espaço com os ‘copos lagoinha’ dele; e na geladeira, meu kiwi às vezes fede à mexerica. Bobagem. Coisas que ainda vamos ajustar. O fato é que acabamos de nos mudar, então tudo está às mil maravilhas. A cada momento uma nova descoberta. Estamos naquela fase do amor intenso. Nem a divisão dos quartos estávamos utilizando. Mas aí veio a primeira briga. Primeiro desentendimento marital. Coisa seriíssima! Ele ficou horas fazendo aquele barulhinho só pra me irritar e acabou irritando mesmo. Cada um virou pra um lado da cama. Climão. Aí eu, sem conseguir conter o ímpeto, solto essa: ‘por que é que você não volta pra sua casa, hein? Amanhã a gente conversa com calma’. Caímos na gargalhada. Os dois. Ele completou: ‘se quiser, posso ir ali pro outro lado da parede e só voltar amanhã’. Lindo ele. Transamos. E, logo depois do sexo, mandei-o de fato de volta pra casa. E ele foi! Pelado, resmungando, mas foi. Eu fiquei rolando na cama, com frio, arrependidíssima de tê-lo mandado embora, mas sem coragem para chamá-lo de volta. No dia seguinte, acordamos como dois adolescentes apaixonados. Tomamos café juntos, discutimos a crítica do jornal... Tudo na maior paz. Confesso que essa calmaria está me incomodando um pouco. Ainda não consigo acreditar que vamos ter alguns meses de paraíso. Já fico pensando qual vai ser nossa próxima briga... Aliás, acho bom a gente comprar mais uma rede, pra colocar na varanda. É que domingo vamos fazer almoço aqui em casa, e eu não vou abrir mão da minha sonequinha digestiva. Nem ele. Já senti que na segunda, vamos acordar em quartos separados. Melhor assim. Estou achando ótimo isso de manter a individualidade. Ele vem, assiste um filminho comigo, e depois vai embora, me deixando à vontade par pinçar a sobrancelha. Ou então eu vou lá, dou uma esquentada na cama, e o deixo cutucando a unha do pé. Privacidade! Ah, nada como esses relacionamentos modernos!..
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2 comentários:
olha,
me identifiquei e me enfadou ao mesmo tempo.
gosto do sabor de casa nova.
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