sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Enfim...

Um braço nu. Um seio a mostra. Da janela, uma brisa gelada invadindo o quarto. Roupas espalhadas pelo chão, um certo cheiro. Lençóis remexidos e pés entrelaçados. Ainda um resquício de sono. Sorrisos. E silêncio. Sentidos aguçados, prazeres rondando. O conforto. Ah, o conforto a dois. Na cabeça, a memória que não devia se transformar. O amor. Na boca o gosto dele, dela. A cumplicidade no olhar; almas que se encontraram. A paz. Segundos infinitos de paz. Pelo corpo, o suor secando. No teto, toda a brancura da mente. Segundos de nada. A eterna vontade de congelar o tempo. De viver pra sempre no infinito das horas. A relatividade: rapidez. Horas e horas em milésimos de segundos. No movimento das mãos, suave, o carinho do toque. Os pêlos se eriçando, cobrindo o corpo inteiro de sensações. Arrepio. O medo do fim, da separação. Dos corpos. A unidade sendo desfeita apenas fisicamente: a sintonia. Tudo voltando aos poucos para o seu devido lugar. A organização tomando o lugar do desejo avassalador. E o tempo: passando como um furacão. Imagens em flashs. Um beijo na nuca. Orelha. Uma frase que não devia ser dita interrompendo o silêncio. Um medo. Diabo. O vento frio da janela e a vontade de continuar deitado. A obrigação de se levantar. Por um instante, toda a demora parece genial. Expectativas superadas. Necessidade do bis. De repente, um empurrão suave: de volta à cama. Beijos longos, intermináveis. A vontade de ser um só. E de novo a vida, entrando aos poucos e sempre. Olhos nos olhos. O som da respiração enchendo o silêncio de sentido. Pressão. Um excesso de peso sobre o tórax e um relaxamento profundo. O abraço. O peso do outro como se fosse o seu próprio. Calor. Corpos quentes. Boca seca. Adrenalina. De novo a paz. Curta e infinita. Longos olhares, longos beijos. Nariz com nariz, coxa entre coxa. Pêlos se misturando. Cabelos. Mãos pendendo inquietas. O relógio. O dia que amanhece, os pássaros. A música de dentro e de fora. O último instante: a hora de levantar. Tudo feito aos poucos, lentamente. Um mamilo, uma língua. A blusa pra atrapalhar. Uma mão, uma bunda, um jeans. Aos poucos, recompostos, um abraço vestido. A alma vestida de certezas e dúvidas. Um beijo. A porta. A vontade de um pouco mais. De novo, olhares. Um novo sorriso, um último beijo. As mãos se soltando aos poucos, sem muita vontade. O último olhar e o vazio. Ainda o cheiro pelo corredor. De novo a cama; a espera. No corpo, a tranqüilidade do lar. Na cabeça, a paz no turbilhão. E a saudade. A estranha saudade de se despedir de si.

Um comentário:

Marcela Sena disse...

eu gosto desse tema.
gosto de delicadeza e verocidade.
as vezes seus textos sao como uma oração, mas este foi um delicioso pecado.
gostei.
beijos e abraços