E de repente um sentimento de leveza assim tão grande me invadiu a alma, fazendo murchar certas incertezas e nublando de sombras o chamado futuro. E de repente era presente, enfim. Era eu comigo mesma, tendo que tomar uma decisão precisa e correta. E era a retesa. Era o caráter. E era a dor.
Passou. Sorriu. E tudo ao mesmo tempo pareceu tão pequeno e as questões tão insignificantes e as palavras tão repetitivas e os pensamentos tão estacionados, que sentiu vontade de voltar a ser quem ela era há alguns anos. Uma garota. Jovem. Uma menina. Mas era mulher enfim. Com todos os prós e todos os contras e todas as questões e ainda ele. E decidiu que decidir-se não era assim tão ruim e que todas as coisas que um dia foram poderiam voltar a ser, e poderiam ser diferentes, e poderiam enfim dar certo. E torceu. Com toda sua força e bondade. Olhou para o céu, procurou uma estrela, e pediu. Não havia estrelas naquela noite. A estrela estava nela. Embaixo do braço direito, escondida do mundo, apontando-lhe com seus braços o melhor caminho. E teve fé por um breve instante. Fé como nunca antes. E teve saudades, e esperou respostas, e pensou que era bobagem, e ficou ansiosa e deixou os dedos bailarem no teclado, vãos, formando palavras sem sentido que saiam de sua caixa lotada, afinal era esse o sentido dos textos. E teve aquela saudade doída e não soube explicar por que. Porque parecia que o tempo estava passando rápido demais e as coisas estavam ficando para trás e ao mesmo tempo ainda era muito presente, e muito pulsante, e muito, mas muito desconhecido. E era do desconhecido que ela tinha saudades. Das coisas que queria descobrir e que sabia que descobriria se pudesse. E pensou em agir, e achou que podia parecer precipitado e esperou mais um passo. Mas o tempo passava rápido e, no papel, as letras saindo diferente do planejado e ela percebendo aos poucos que a saudade estava mais presente do que a presença, e a imagem ainda não havia saído do pensamento. Mas as coisas andavam muito confusas e a vida ia mudando rápido demais e ela temia o que estava por vir. E ela esperava. Ela ainda espera...
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