sábado, 27 de março de 2010

Música

E foi então que eu percebi que talvez nunca fosse. Talvez acontecesse de a gente ficar para sempre e não ficar nunca mais. E eu me perguntei que bobagem era aquela que me inquietava a alma, e eu tinha saudade dos teus olhos e das tuas palavras. É. Saudade daquelas palavras macias que não chegaram a me dizer nada, mas eu pensava nelas entrando pelos meus ouvidos e me dizendo coisas surpreendentes e óbvias. Porque no fundo, o que tinha me encantado era a incoerência. A falta de coesão do corpo com as frases, que negavam enquanto o peito queria. E eu sei que você quis disfarçar, porque eu também quis e também não devo ter conseguido porque quando eu me reparava, em meio à conversa efusiva da roda, esta sempre olhando para os seus olhos e para a sua boca, e para as suas mãos, e para todo o corpo que em minutos se voltou todo pra mim e eu, que conheço bem essa coisa de linguagem corporal entendi que não era consciente, mas que estava acontecendo e a gente estava se deixando levar. E porque hoje a semana já está no fim, inquieto-me do telefone ainda não ter tocado, e de nenhum e-mail ter adentrado a minha caixa e espero ansiosa por aquele novo olhar e aqueles novos sorrisos que nos prometemos em silêncio no momento da despedida. Porque desde aquele dia – que parece tão distante – durmo e acordo pensando em você e já não sei mais o motivo de minha cama estar vazia enquanto você ocupa meus pensamentos. E é por isso que escrevo essas letras doentias e febris. Para ver se você começa a entender que a minha loucura não passa de uma inquietude transviada, borrada de ilusões irreais que eu cismei em dourar ao ver teus olhos. Assim, verborragiando letras, sinto-me um pouco mais livre para ser menos normal quando te encontrar, e talvez sorrir destas linhas como se fossem um reflexo atravessado do que me passa no peito. Porque por dentro sou misturada. Sou vermelha como poucos. E é por isso que coloco essas letras para fora pra brincar um pouco de ser deus, e fazer com que você leia, e alterar o seu destino que já estava escrito. Porque eu quero que você faça parte da minha estrada e por isso desenho com giz o caminho para você passar. E as portas estão abertas para você fugir, mas eu sei que você vai ficar. Porque toda essa loucura se aquieta quando estamos juntos e os nossos instrumentos se unem em melodia. Porque meu coração anda buscando seu compasso e o que tem é falta, então ele reclama e se desespera. E por isso a pressa. Só por isso a pressa. Para que a sinfonia não passe nos deixando para trás. Para que possamos tocar na mesma banda, dividindo o mesmo som.

Nenhum comentário: