segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Drama

Há uma linha tênue que separa a sanidade da loucura. Hoje ultrapassei o limiar. Vi o outro lado de perto. Pensei em morrer. No canto da pequena sala gelada, o medo as solidão. Do lado de cá, uma vontade de dormir infinitamente. Depois de sorrisos deliciosos e momentos de extrema frustração, todo o caldeirão borbulhou ao mesmo tempo dentro de mim. Agora, enquanto escrevo, uma letargia nova provocada por altas doses de remédio. Os dedos bailando lentos nos teclados, formando palavras que são, agressivamente, expulsas da alma. Preciso esvaziar os potes. E fechar a tampa. Lacrar esse derrame que escorre do corpo em gotas salgadas. As coisas se configurando de maneiras estranhas e inexplicáveis. Sonho. E nos sonhos, aprendo com calma a delícia da realidade. Preciso com certa urgência de um psicólogo de plantão. Para quem eu possa ligar com calma para discorrer sobre as sombras do peito. Por ora, tenho vontade de derramar toda aquela caixa dentro de mim e de sumir do mundo. Andando sobre pedras que não são minhas, trilhando caminhos estranhos pelos quais eu não gostaria de passar. E os dias me atropelando como tratores grosseiros e cruéis. Tenho sono. E não consigo dormir. Os fantasmas gritando. E sorrindo. Ando de cansada de fazer coisas apenas para agradar aos outros. Mas preciso. E a diferença entre a felicidade e a necessidade está justamente aí. Queria sair correndo por uns dias. Umas semanas. Brincar de me esconder em Buenos Aires – terra conhecida, amiga, e viável. Como eu queria sumir. Deixar de dar noticias, de dizer como eu me sinto. Vontade de calar os celulares por um instante, por toda a eternidade. Ah, vontade! De acordar depois de uma semana e descobrir que o meu mundo já chegou a seu devido lugar, que as coisas estão, enfim, no prumo. Vontade de pintar, de escrever, de criar, de dormir, e dormir, e dormir. É. Acho que preciso tomar meu tarja preta. O quanto antes. Rosa. Bem rosa. E calar os telefones. Preciso calar os telefones e as vozes que não param de ecoar na minha cabeça. Parar. Preciso cessar a derrama que não se estanca. Preciso de colo e de casa. Preciso de mim. Urgentemente de mim. Mas não consigo me encontrar. E eu? Onde estou???

Nenhum comentário: