Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Conquista
Mais uma dessas viagens inesperadas, que me ocorrem de madrugada, enquanto os dados do cartão de crédito cismam em estar ao alcance das minhas mãos. Mais uma atitude impensada. E de novo eu, sozinha, no aeroporto, pergunto-me por que é que estou de novo indo para lá. Por que assim, tão de repente. Não sei se sei fazer planos a longo prazo. Todos eles se desfazem antes do tão sonhado dia. Vivo o agora. Por hoje, malas arrumadas com pressa, dia cheio de compromissos inadiáveis e, de novo, a paz. Do alto, de cima, a paz. A estranha sensação – pela primeira vez – de não estar voltando para casa. A casa é a que fica. Vou de passagem, de visita. Meu lugar é no sovaco do cristo, no edredom branco com almofadas vermelhas. No banheiro ainda sem box. Estranho a sensação de crescer, de achar meu lugar no mundo diferente do lugar onde nasci. Tenho saudades dos amigos, das crianças, dos momentos, de lugares. Tenho saudades de um eu que fui e já não sou. O passado, como parte do presente, infelizmente não me serve mais. Roupas velhas que deixei de usar, embora ainda as guarde com carinho. Aos poucos, vou sentindo a familiaridade do exílio. Sensação que nunca imaginei plenamente possível. Lembro daquele menino com os olhos tristes, que me sorriu, doído, antes de partir. Talvez ele não tenha encontrado esta paz. Me compadeço dele e dos momentos que não vivemos. Ainda não consigo deixar de acreditar que teria dado certo. Mas agora, outros olhos me sorriem brilhantes, e eu acabo por me convencer de que daria certo, de qualquer forma. Sozinha, vazia, custo a esconder a sensação de completude que me invade. Sorrio da mulher que me tornei. Ainda menina, ainda sem graça. Mas forte como sempre e confiante como nunca. No saguão, por entre os ouvidos, ruído de teclas soltas a se divertirem com os dedos. Mais uma lua de mel com o teclado. Por dentro, uma esperança maldita, que brinca de me preencher e me iludir. Sempre gostei de acreditar. Ainda olhos castanhamente tristes, ainda cabelos levemente desgrenhados, ainda um sotaque acentuado. Ainda em mim imagem dos que se fizeram sentir, e dos que ainda hão de se mostrar. Observo com calma o caminho que eu mesma desenhei. Dou passos lentos e contínuos rumo ao futuro. Afinal, não foi isso que eu quis? Não pedi, batalhei, conquistei e me surpreendi. A vida acontece no enquanto. E o medo, por mais que pareça assustador, é inevitável e vital. Viva o medo. A alegria. A esperança e o amor. Benditos os sonhos que ousamos sonhar e tivemos a braveza de construir. E viva o futuro. Esse invejável senhor que nasce sempre do agora.
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Um comentário:
me aproximo dessa realidade quando vejo nesta cidade cinza minha vitoria. repenso e sempre tenho a certeza de que sou capaz de errar mais e de ser melhor do que ja fui um dia! comento em seus textos como uma forma tola de estar perto de sua mente, de sua mentira, de sua verdade!
sinto saudades minha amiga,
grandes beijos
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