Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
A sós
Então a noite caiu e nós estamos sós. Não é este, afinal, o sentido da vida? Esperamos acordados por alguma solução milagrosa para os nossos problemas, e no fim o que resta é angustia. Não há nada o que esperar. Apenas amor e compreensão. Se você olha nos olhos, e sente que pode ser, então é este o sentido que buscava. Acredite. Não há nada que vá superar essa sensação de pleno e total desamparo. Na vida, o que há é meio. Guardo sempre questões absurdas e protelo decisões e desamparos por medo do erro. Por medo do fim. E pela indecisão, acabo colocando-me na posição mais deplorável e frágil que podia estar. Fico sempre no quando. Por isso decidi me jogar. Sem pára-quedas, sem rede de proteção. Jogar-me no abismo sob o risco de me machucar imensamente na chegada ao chão. E com a possibilidade de ter uma queda perfeita e extremamente prazerosa. O que há é risco. E uma saudade de amor tardia que cisma em me abalar a alma. O que há é risco. Um molejo de amor machucado, uma poesia ao pé do ouvido, uma brisa leve de suspiro a invadir a imensidão do quarto. Os pêlos se eriçando, as pernas se procurando. Ah, o enfim. Porque no fundo não há. Nada há que se possa dizer a não ser um olhar calmo e macio. Uma pena. Uma cena em plongè, como um olhar de deus a escancarar nossas intimidades. Porque somos seres do amor e, por isso, do ódio. Porque a calma é só uma ilusão impura e terna das coisas que vão dentro. Porque há caixa de pandora, e a esperança foi a única que restou. Dentro do peito, o tempo. Teimando em tilintar o seu tic-tac de morte. A areia correndo rápida pelas paredes de vidro e eu ainda aqui, sem mover um dedo frente ao destino. Sem cuidar do que cuida de mim. Por hoje, notas desafinadas valsam no espaço. Amanhã melodia. Olhos amendoados e castanhamente sábios, como há tempos não via. E uma saudade imensa e crescente dos pequenos diamantes que ainda virão. Acho que desisti das utopias. Sou um pequeno passo para o real.
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