domingo, 30 de maio de 2010

Respiro

Um sufocamento estranho e intenso que de repente me fez perder as palavras. Um vazio abismo de mim mesma preso entre o peito e a razão. Caracteres não seriam suficientes. A vida pulsando em cena sobrepujando tempos mortos e irreais. Vida. Não é então esse o sentido? Por entre os escombros da alma alguma poesia macia e soterrada, que teima em se calar neste momento de solidão. Que será então a arte? Pergunto-me sem imaginar resposta. Porque hoje o dia passou lento e vários fragmentos de pequenas escuridões vagaram pelos meus olhos-diamante. E não tivera medo de ocaso nem brilho de aurora para fazer luzir, nesse silêncio, o som de nossos dias. Porque os dedos bailam soltos em brasa, tentando colocar pra fora alguma inquietação repentina e maldita que cisma em me fazer angústia. O medo do terno. O terno da morte. Embaladas, no caixão de outro, as esperanças brilhavam alguma coisa de infinito e tardio que aos poucos ia soltando-se em pingos e lágrimas. O tempo passou e as feridas se foram, amargamente. Nos olhos, um brilho de amor antigo e uma saudade tardia de corpos que não existem mais. No fundo da terra, o fim. Porque a vida é a luta infindável e doentia contra a morte. O indivíduo louco e abjeto que cisma em rumorejar palavras em meu cangote. Ah, o cheiro louco e sagaz de quem jamais se entrega no fim da luta. Batalha diária contra as fadigas internas e um grito louco de saber-se completamente absurdo e tangível. A luz no fim do túnel, virada para a linha tênue da escuridão. E por quê? Vem de dentro pulsante e completamente incontrolável esse ímpeto noturno de estender-se em letras demasiado rápidas e profusas. Enquanto, os celulares a enlouquecerem sua voz na escuridão. Sou ser incomunicável e preciso. Coisa de momento. Sorrisos de olhar. Não me arrependo do passado. Não me orgulho do engano. Só sinto. E sou. Mais errada do que nunca e equivocada como sempre. Des-sinto. Repito-me. E me vejo na beleza do olhar alheio como folha a pendurar-se ao vento do suicídio. Brisa louca. Equívoco tardio.

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