Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
terça-feira, 1 de março de 2011
Cinema religião
Os dias vão passando ligeiros, e esse medo estranho começa a me tomar por completo fazendo das maiores expectativas um tormento muito pouco sutil. Acordei com dores no corpo e uma sensação de saudade antecipada – que se tornará aos poucos tardia – dando a impressão fugaz de que o tempo é estático. Por entre os lençóis, ainda um sono guardado, perturbado apenas pelos sonhos diversos que se apagam da minha memória no alvorecer das horas. Perdida entre as tarefas, procuro encontrar um ponto central, foco de toda a minha energia, mas me perco em devaneios românticos e numa certeza absoluta e substancial: a vida é feita no enquanto. Refletidas no espelho do meu passado, lembranças de momentos delicados e efêmeros, que serão pra sempre guardados na caixa preta das minhas emoções. Hoje acordei feliz e convicta de que a estrada é contínua e nos apresenta sempre bifurcações eloqüentes e encantadoras. No peito, a marca sagrada dos homens com poesia e a certeza de novas frases melódicas. O teclado imprimindo notas dissonantes, que se convertem em caracteres esdrúxulos do meu penseiro ideal. Ondas de reflexão. E na distorção côncavo-convexa das imagens, gordas lágrimas e estreitos sorrisos, preenchendo os ambientes etéreos de mais possibilidades e sensações. Hoje acordei e sorri. Assim, sem causa aparente. Sem nenhum motivo importante ou foco absoluto. Me alegrei pelo que vai dentro e pela beleza dos encontros que se estabelecem pela vida. Fiquei pensando que não há livro mais interessante do que o outro. E que as histórias só são escritas a partir dos olhos. Quis agradecer, por um momento, a possibilidade de me reconhecer nas linhas alheias; de crescer, por um instante, a partir daquela inocência. Tive vontade de comentar, de telefonar, de apoiar, enfim! Somos feitos de segundos consecutivos, que nos atropelam a todo instante transformando o que ficou em matéria morta. Somos um eterno renascimento. E assim, florescendo outros amores, cumprimos nosso destino principal neste plano-sequência. A câmera atrás da parede, filmando momentos que, por ora, ainda não nos damos conta. E, no momento final, no suspiro último, o verdadeiro presente divino: nosso filme biografia, preenchendo as retinas de beleza e recordação. Não faço idéia se há uma justificativa para os dias, mas tenho a impressão de que eles são como a arte: se não tiverem um fim em si mesmos, não são merecedores de apreciação. Não cativarão o público e nem transformarão uma alma. Deus – se é que existe – é um exímio cineasta...
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