Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Entre Zumbis
Mudanças repentinas em meu cronograma sentimental. Do lado de fora do peito, o calor escaldante me agride, entrando sem licença pelas cicatrizes ainda abertas. Por aqui, não há chuva que aplaque a solidão memorável dos dias de lágrimas. Pelo intangível universo concreto, notícias estranhas me batem na cara, provocando sensações inesperadas, inusitadas e indevidas. Sou de carne e osso, afinal. Sangue correndo nas veias rapidamente. Pulsações exacerbadas, reações teatrais. Vivo no mundo do drama e é por ele que os olhos brilham, agora. Pelo drama alheio. Cruel e sedutor como nenhum outro. Na insônia intermitente das horas que me assolam, somente uma certeza realizadora: mais de 28 horas sem nicotina no organismo, vitória parcial e concreta, há muito desejada. Com a cama vazia e o ventilador rodando no teto, fico dando voltas em mim mesma, tentando prever exatamente os próximos acontecimentos. E as horas se sobrepondo. Em uma semana de trabalho e possibilidades, tento esconder as olheiras que tatuam o meu rosto, misto de preocupação e sua falta. Já não posso esconder mais minha inquietação doentia, minha ansiedade contida, meu ciúme – inédito – de cenas que eu não vivi. Não há nada que comprove aquela passagem na minha trilha. Nem fotos, nem cartões, nem presentes. Apenas essa memória escassa, que me abandona dia após dia. Cada passado em seu lugar no caderno negro e espesso das angústias perdidas. Na galeria de novas obras, sorrisos e sensações táteis diversas. Paladares confusos, visões inesperadas. Minutos passando velozmente, jogando-me na cara a realidade assustadora e cretina: nada como um dia após o outro. E assim, admitindo as falhas e pressupondo as qualidades, aproveito a instalação à revelia de sentimentos interessantes. Despropositados e gratuitos, mas completamente pertinentes e viáveis. E assim, olhos nos olhos, a proximidade se impõe como condição fatal e absoluta para o sucesso. Os dias se tornando mais curtos e as noites mais longas. A vontade esmagadora de manter-se na horizontal por mais alguns instantes. E o medo, enfim. Companheiro inseparável de momentos diversos. Instinto indecifrável da espécie ainda humana. E rara. Inacreditavelmente, tenho me deparado com muita “gente” entre as pessoas. Acho que ando no caminho certo.
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