segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Labirinto

Há tempos não me interesso pelas letras que me podem sair. Obscuridades absurdas, penso que já disse tudo o que era. Repito-me. E, por ora, não tenho pretensões românticas com os dedos, instrumentos letais do meu desagrado. Ando decepcionada com a minha imagem, refletida infinitamente nos espelhos que duelam. Não tenho nada o que dizer, todos os caracteres já foram usados, todas as lágrimas choradas, todos os amores vividos. Tenho a impressão do fim, sabe-se lá por que. E enquanto viajo em situações improváveis, penso que cheguei a um beco sem saída, sem garrafas, sem tesão. Os pássaros da liberdade voam longe, há tempos esparsos, em locais completos e complexos. Nãos sei o que pensar dos olhos, nem do corpo, nem da mente. Só a velha hipocrisia de sempre reinando em minhas letras. Deveria parar de escrever e assumir a minha verve romântica, como a daquele louco roqueiro que se faz de louco para não ser doce. E os olhos derretendo mel. E a voz inquietante pedindo pra ficar. Tenho saudade de conhecer as pessoas certas e de brincar com as peças-chave do quebra cabeças. Ando oca. Com um pouco menos de brilho do que os olhos escondem, com uma vontade um pouco maior de deixar de ser, e de ser tudo de novo ao mesmo tempo. O que fazer com essa avalanche que me rola por dentro, e que eu tento frear com uma chuva fina? Por que o que eu quero está sempre um pouco além? E ele não volta, e eu não vou, e a gente se engana, e eu me perco. E rodando pelo labirinto, percebo que me perdi de mim. Há tempos. Que a saída é outra, escondida aqui mesmo – dentro – e que eu não acho. Atirando no pé. Segurando pelas orelhas. Interrompendo o pranto.

Um comentário:

Meggie disse...

Ai Flávia, quando eu acho que já li um texto teu muito bom, encontro outro extraordinário. Como este. Não refreei nunca essa sua fome de escrever e, dica, deixe o universo cuidar de você. Deixe tudo desmoronar. Deixe essa avalanche tomar conta da sua vida, porque às vezes, é isso que você precisa. Só isso. Não lute com o que tu tens de natural, de vital. Adoro seu blog!