E enquanto o som aparece na noite escura
Lábios movem-se no vazio do silêncio
Os dedos bailando a valsa louca do momento
E o sim? Se rima a minha rima pouca
Vai-se todo o meu não ser em letras despencadas
de um eu que sabe
Não ser? Saber? Já ser?
E na métrica precisa do meu descompasso
Cismo em brincar com palavras vazias.
Porque o não, é muitas vezes talvez
E quem sabe por que?
Por ser? Saber...
Na ignorância musical de algumas frases
Melodias aparecem por si
Não gosto de me premeditar
Desisto de não tentar assim
E paro, precisa, na cabeça do contratempo
Não brinco de fazer canções
São as canções que insistem em me ninar
*****
E então fez-se noite no apartamento em chamas
Era silêncio embora melodia
Não havia nada demais no recinto
Apenas e velha e antiga casa vazia
E por isso, ao adentrar a porta,
Trôpega e sem ar
Não soube exatamente o que podia esperar
de tal estranho dia
porque a vida acontece no agora.
E não há nada de novo no momento.
As luzes acesas num piscar de vaga-lumes
E o peito a baforar fumaça e cinzas
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