Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
De Manhã
Se soubesse como fazer, faria diferente. Mas anda difícil. Uso sempre as mesmas variantes, e a equação nunca se torna exata. E quem é que se interessa pela exatidão? Vivo os sentimentos no fio da navalha. Um só movimento e ele tenderá para um lado, ou para outro – se você quiser. Por isso equilibro-me na razão. Porque sei da nossa loucura e já consegui retomar meu prumo. Pelo que vejo, você anda mareado. Pelo que beijo. Pelo que olhos. Pelo que pêlo. E de novo você – ah! de novo não! Você de manhã e essa cara amassada, e esse sorriso inevitável e de novo. Caí pro lado errado, eu sei. Caímos. Mas já que estamos aqui em baixo, no meio do caos sentimental e saudosista, nada melhor do que ir. Pra longe e para nunca mais. Para onde a gente nunca foi, e de onde a gente nunca devia ter saído. Porque no fundo é nada. É só aquele formigamento – que a gente jurou que não voltaria – fazendo essas cosquinhas irresponsáveis. E não me venha olhar assim! Não foi minha culpa! Fui eu quem disse não primeiro. Fui eu que sorri com o canto dos lábios. Mas me não venha olhar assim! Que esse olhar eu conheço de longe, e essas mãos eu conheço de perto. Não me venha. Me tenha. E me desculpe pelas desculpas. A gente sempre soube que terminaria assim. Que começaria assim. Que seria. Jogo da mentira. Eu mudo pra me esconder e você troca para me encontrar. Crueldade, sim. Você tinha um ás na manga, e eu nunca joguei pôquer (in portuguese). I can, I know. Mas chega. Nós desistimos, lembra? Depois do primeiro temporal e das nuvens que se aproximavam. Que pode ser? Eu sei. Mas não será, e pare de me olhar assim, com essa cara de quem vai conseguir me convencer a qualquer momento, porque não vai. E não venha querer olhar o que eu escrevo, porque eu não estou falando de você. Estou falando de mim. Do que me vai na cabeça, e do que eu estou lendo nesses olhos que tentam me decifrar enquanto eu me decifro inteira nessas linhas que você ignora. E não adianta fingir. Você desaprendeu a disfarçar – logo você. Por isso me perdoe o deslize. Hoje a noite apago a luz, e prometo que tranco a porta. Mas por enquanto ainda é dia. Meu rosto deve estar amassado de travesseiro e você está encantador com esses olhos inchados. Eu tinha saudade dos olhos inchados. Agora tire essa interrogação da cabeça, e pare de me olhar assim. Eu também não sei porque tenho este sorriso nos lábios. Estou achando graça. E só. E eu também não vou te explicar o que aconteceu. Você estava bem aqui. Por isso pare de me olhar com esses olhos, que eu prometo que tiro esse sorriso do rosto!
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