terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Silêncio


Ah, o silêncio! Às vezes é preciso se afastar do barulho das ruas pra se aproximar do nosso próprio barulho interno. Meu silêncio é cheio de sons esparsos, misturados a um rio de entrelinhas, que vou decifrando enquanto ouço. Às vezes, preciso de paz. Sou um ser da solidão. E é no silêncio que me encontro mais bela; que a minha essência se encontra com o mistério. A beleza, já diria Rubem Alves, é algo escondido dentro de nós que encontramos, às vezes, nas coisas. E o belo dos outros nada mais é do que a nossa própria beleza, escondida entre os entulhos do nosso cotidiano. É preciso limpar a casa, para que se possa achar, por baixo dos escombros, aquele velho patinho de borracha. Tenho andado pelos meus caminhos com curiosidade. Re-conhecer-me tem se tornado uma tarefa prazerosa e criativa. Reinvento-me. Brinco. Estou com saudades de atuar. Procuro dentro de mim aquele ser brincante, que me trouxe até aqui. Aquele ser que se perdeu de si mesmo para se descobrir. Encontro-me na solidão. É dentro dela que se esconde a minha arte; a minha forma única e absoluta de expressão. E calo-me. O silêncio nada mais é do que o som da alma. A música contida nos intervalos das palavras. O profundo suspiro da solidão.

2 comentários:

Marcela Sena disse...

silenciar e caminhar!
saudades de você, baby!

petrucia finkler disse...

eu vivia turbinada, hype, a mil por hora. Aprendi o silencio quando mudei pra cá e parei quieta. aprendi o silêncio na mudança das estações e no peso gelado dos longos invernos. O problema é que quando se aprecia demais a fertilidade dos silêncios, a gente sempre corre o risco de ficar tonta quando vem ao mundo. como é afinal que se acha o equilíbrio?
estou voltando a te ler depois de 3 semanas quase offline. E ando falando de você por aí. Talvez tenha novos leitores pintando no pedaço.
abraços