quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Olho de poeta

Pela janela do meu quarto, a lua cheia invade o espaço prateando o ambiente. Clareando minhas idéias, a luz permeia minha cabeça e acompanha meus pensamentos. Os poetas vêem mais do que os olhos mostram. Não sou a primeira a dizer isso, e nem tampouco me arrisco na poesia. Mas adoro ver um mundo num grão de areia, e um céu numa flor silvestre. Hoje olho com os olhos da beleza coisas que eu jamais havia reparado. Às vezes, o mundo me tira a poesia. E vejo nas coisas simplesmente o que elas pretendem ser. Mas hoje não. Hoje vejo nas coisas mais do que a forma e a função. Hoje o mundo derrubou as arestas e se cobriu de imaginação. Tenho algumas preocupações a menos, e um grande sorriso a mais. E sinto saudades das pessoas distantes. Principalmente das que estão perto-longe, como a bruxa, que sumiu com seus feitiços. Tem também o homem-alegria, que foi levado por uma nuvem acinzentada, e eu me preocupo com a sua tristeza. Tem o príncipe encantado, sempre com suas meias-palavras; e o garoto dos cigarros, que morreu e não parou de fumar. Estou com saudades desses rostos sorridentes e confusos, que, em algum momento, me sorriram com os olhos. Meus olhos hoje gargalham. Estou de novo livre para me felicitar! E isso é tão estranhamente perfeito. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar. E ele está aí! Com suas plumas e paetês, e álcoois e corpos. Toda a fantasia desse meu novo olhar distorcido. Estou correndo atrás da paz, mas ela, arisca, tem corrido bastante de mim. Fico na confusão então. Perdida nessa enorme loucura que é a minha sanidade. Tentando entender o ritmo das pausas e dos suspiros. Piscando para a estrela cadente e chorando com as rodelas de cebola. Vivo o diariamente e a incompetência da falta do encontro. Amanhã o lar me chega em casa, e é por isso, também, que hoje trago esse sorriso. Para tentar inspirar você – que ri de mim com o canto da boca – a tomar uma atitude diferente das anteriores. Se você continuar fazendo as mesmas coisas que faz, vai continuar conseguindo as mesmas coisas que tem conseguido. Refresque-se. Hoje estou transpirando os outros. Influências. Mas esse espaço é dedicado a uma vida de mentira. E parafrasear não é plagiar, é? Identifique-se com o que lhe é familiar. O resto, finja que é meu. Afinal, a antropofagia faz parte de toda pequena leitura: de slogan a bulas de remédio. E por hoje é só. Preciso socorrer a ambulância, e sinos me tiram do transe literário. Por favor, volte sempre, se quiser. Escreva pequenos recados para que eu possa guardá-los comigo. Mas deixe-os escondidos. Eu posso não ser a única, você pode não ser o único. Mas isso é um acordo de cavalheiros. Enfim: a gente nunca disse que prestava!

Um comentário:

Marcela Sena disse...

Ah! The-lícia isso! Eu bruxa, sinto saudades! Sim, assumo!
obrigada por você ser a minha única redatora. Te amo, sinceramente!
beijão pra você, Baunilha.