sábado, 20 de dezembro de 2008

No silêncio do cigarro (ou ainda ele)

Se a sua vinda não é certa, sua volta eu garanto: certeza. Se no mar que eu nado não há peixes, garanto a natureza das flores que plantei no seu jardim. Espero-te esta noite para prestigiar a estréia do meu novo viver. Espero-te no silêncio do quarto e no barulho da alma. Espero-te acordada nessas noites frias de ruído e solidão. Porque tenho medo: medo de estar só. E apenas sua lembrança me acalenta na profundidade deste nada tão real. Ainda não sei se devo convidá-lo para comigo dançar. Essa valsa acabou há tempos, mas sempre é tempo de rememorar. Tenho tido saudades de você. Daquele sorriso indecente de garoto que sabe que pecou. Daquele sorriso quando a porta do carro se abre, e eu subo em minhas pernas como se deixasse um pedaço da minha esperança. Confundo-me em meus sentimentos: não sei o que quero de ti. Talvez seu amor seja só um capricho de menina mimada, que eu teimo em querer ter. Sua companhia, esse bem já conquistado, me satisfaz, por vezes. Mas por outras quero agarrar-lhe pelo pescoço, e mostrar-lhe que só a união completa nos fará inteiros. Às vezes não sei se somos amigos ou amantes. Não sei se estamos jogando uma partida de regras desconhecidas, ou se estamos nos enrolando no novelo do destino. Perco-me em você. Na sua imagem. Na minha imagem sua. Já não sei o que é real nessa teia de pensamentos. Sei que ainda te espero. Cada dia mais perto. Pra que seja mais intenso quando optarmos pelo sorriso incessante, ou pela lágrima derradeira. Não tenho fantasias de amor romântico, apenas uma fugidia sensação de tarefa não acabada. Ainda não cumprimos nossos roteiros, ainda há cenas a gravar. Mas estamos adiando as filmagens, e o tempo não tem nos ajudado muito. As externas dependem da meteorologia, e eu dependo de mais sol. Sou da noite, ambos sabemos. Talvez seja essa nossa maior distância. Meia volta terrestre. Aqui, no meu apartamento escuro, imagino você a dourar-se nos raios solares. Lindo como ouro. Com essa barriguinha sexy, de quem tem alguns chopps a me contar. Hoje queria abrir uma cerveja, brindar com um champanhe, mas só me resta o cigarro: esse velho companheiro de solidão e angústia. Esse pequeno cérebro que ilumina a escuridão do meu quarto, e acende um pouco os meus pensamentos. Hoje estou enferrujada. Há tempos não escrevo, e meus dedos estão cansados de passear por palavras vazias. Ainda estou perdida no meio das caixas. Ainda me perco em você.

Um comentário:

Marcela Sena disse...

oh, que saudade dos seus textos apaixonados, intensos, sinceros, claros e ainda mais seus!
minha leitora fiel, estou com saudades!

obrigada por isso.
um beijo.