Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
sábado, 2 de julho de 2011
Presente
Por onde passeiam as entranhas que, vez por outra, me abandonam e saem a observar o mundo a seu bel prazer? Eu, por mim, arrumei um foco preciso que ilumina todo o meu olhar. Sorrio. Mareio. Absurdo. E ainda assim, ainda desse jeito, tenho certeza. Todo o entorno treme e se desfaz. Mas ele, ali, no canto do pensamento, me agracia com flores de sentimentos puros, que se despetalam enquanto ando, formando o caminho sinuoso e perfeito das minhas ambições. Por ora, tudo está suspenso. Terra plena de acontecimentos duvidosos e surpreendentes. Na manhã ainda escura, sorrisos, toques, calor. Então é isso que dizem que é felicidade. Gozado, não me parece tão difícil agora. E no fundo daquele olhar pidão, parece-me que há um infinito inteiro de possibilidades. Variações, números, mutações. Camaleonicamente, assemelho-me a coisas que eu admiro de longe, sem dizer o porquê. Sinto-me imensamente completa, como uma banheira de espumas que se estende além de seus próprios limites. E é leve. E pode ser modificada com um sopro. E mesmo assim é sólida. Profunda o suficiente para que eu não me afogue em mim. E deliciosamente relaxante. No corpo inerte que se encontra em repouso, marcas dos acontecimentos parecem se exibir com orgulho. São cicatrizes que foram forjadas por amor. Com os pulmões já livres da fumaça, o pensamento se torna um pouco mais vagaroso e leva, com ele, lampejos da minha preguiça. No peito, letras transformam-se em cenas, certezas transmutam-se em negócios. É que, brevemente, toda a realidade presente escorrerá pelos poros, fazendo com que o suor concretize-se em cifras. Não é sempre que se tem uma oportunidade real de transformar os sonhos em matéria. Por isso, com pequenos orvalhos corpóreos vamos, aos poucos, engendrando uma mistura estranha e dolorosa que será responsável pelo porvir. Não me culpo pelo que deixou de existir. Martirizo-me pelos erros cometidos, mas Eros me acompanha. Eu agora vivo o presente. E ele – lindo – é um presente de barbas.
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