Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Linhas tortas
Então o dia amanhece. Raios de sol entram pelas frestas da cortina e você se pergunta se é possível frear um pouco o tempo. O coração, cavalgante, custa a caber no peito. Ao alcance das mãos, a paz. Um meio sorriso sonolento, um abrir e fechar de olhos cansado. E você agradece pelo instante que, afinal, já se repetiu e se repetirá ainda por muitas vezes. Os longos cabelos a cobrir suas idéias. E, mais uma vez, você confia na vida e no acaso. Esforça-se para concretizar os sonhos-planos e coloca no prumo toda uma sorte de coisas que cismam em andar à margem. Você escreve algumas linhas ao léu, e a criatividade transborda novamente de suas páginas. Você sempre foi um livro aberto que se decifra com o cotidiano. Algumas pessoas preferiram de você o mistério, contentaram-se com a capa, criticaram pelas orelhas. E você mudando de sentido, cambiando os signos para uma análise semiológica mais complexa. Você e os pseudo-intelectuais, presos sempre em suas masmorras de angústias e frustrações. A verdade do artista é feita na pupila do espectador. É no olhar do outro que você se consolida ou aniquila. Por isso não me venha com equações para uma respiração ofegante, nem com matemáticas para a proporção de tempo-espaço. O mundo que você vive é de química, e as relações elementares nem sempre são balanceadas. No fundo, o que a gente queria era não ter medo. Estufar o peito e passar de cabeça erguida pelos fracassos, pelas incapacidades, pelos desrespeitos. Mas quem inventou as regras já morreu e, pudesse ele, escreveria tudo de novo. O que você não entende é que a pena está em suas mãos. E o mata-borrão não tem utilidade para tinta seca. Por isso, folhas em branco! Páginas inteiras de vazio para que você escreva sua história. Ela será recheada de personagens obscuros e misteriosos, que lhe farão refletir seus maiores desencantos. O fim de toda dúvida é um sorriso de criança. Hora de buscar a sua, então. Dentro de si, escondida por debaixo de camadas de roupas e maquiagens e edredons e limites e pavores. Lá embaixo, ela. Encarcerada e perdida entre suas camadas de esquecimento. Compre um pirulito! Conheço poucas pessoas que não se encantam por um apetitoso e róseo pirulito. De morango, talvez. De desejo. Dê uma chance ao que pulsa. Abra a janela com os olhos e guarde na boca as palavras. Afiadas, elas podem ferir. Doces, podem mudar toda uma estrada. Canetas em punho. Tintas borradas. E mãos à obra.
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