Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Ecos da noite chuvosa
Estou com um pouco de medo das decisões. Eu sei, temos o direito de ir e vir; mas tenho medo de querer ficar. Ando assim ultimamente: com vontade de repetir velhas versões e de inaugurar novos modelos. Coisas de inconstante. Por isso escrevo, nestes tempos, sobre romances inacabados e amores platônicos. Porque quando olho nos olhos e decido que sim, pode ser que seja para sempre. Aí tenho medo de querer ficar já que sei que você pode querer ir. Coisas de livre arbítrio. Bobagens de adolescência tardia e velhice precoce. Tenho falado bastante das borboletas. E elas, realmente, andam povoando a minha casa. Andam junto comigo. E quando respiro fundo, e penso que, enfim, acabou; elas batem as asas sorridentes, me mostrando que ainda existe outro caminho. Então penso em ficar. Em sorrir mais um pouco, em beijar mais um pouco, em beber mais um pouco. Por ora, confesso, só confio nos cigarros. São eles que me mantêm acordada dos pesadelos que invento. Apesar disso, tenho sorrido com freqüência. E criado, todos os dias, novos roteiros febris das bobagens que me acometem. É que minha casa de bonecas desmoronou e dela surgiu um castelo sólido e iluminado. O castelo sou eu. E, por mais que eu tente me convencer que não, quando olho nos olhos e sorrio um pouco mais, tenho vontade de ficar. Com você, em você, por você. Porque você foi, e eu continuo aqui. Com alianças envelhecidas envolvendo meus dedos. Uma depois da outra. Mas, sinceramente, não estou querendo casar. Desculpa se te enganei. Faz parte de mim. Eu minto às vezes. Te engano para me colorir. Sou um livro de criança perto de uma caixa de canetinhas. E meus braços são longos! Peço desculpas pelos meus traços. Mas estou feliz. As covinhas estão trabalhando bastante. E, ironicamente, não ando brincando de ironizar. Tenho, sim, medo. Um pavor profundo e infantil de querer ficar. De te olhar nos olhos e querer desdizer tudo o que eu disse. De te cobrar uma decisão qualquer. Mas sou capricórnio com capricórnio – disseram. Nunca vou dar o primeiro passo. Enquanto, divirto-me com o acaso num jogo infinito de tira e põe. Já não sei mais quem é que dá as cartas. Mas aposto alto, com beijos de boa noite e café na cama. Sinto falta daquele gosto. Ainda não sei por onde começar. O que sei é que você tem todo o direito de ir. Mas devia levar seus pedaços. Algo seu ainda está em mim. E eu estou com medo de querer ficar.
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