Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Ante o começo
E, não sei por que, tive medo de não te ver nunca mais. Bobagem, eu sabia. Bobagem... Mas alguma coisa por dentro me apavorava às vezes, como sobressaltos de escuridão. Não sei bem o que era; não sei. Sei que quando olhei seus olhos e, sem querer, sorri; toda uma estrutura rígida e segura se desmoronou em segundos. Uma estrutura aqui dentro. Não que eu não tivesse planejado: confesso. Eu já sabia que ver-te abalaria toda e qualquer rigidez de minha parte. Mas eu sabia na minha cabeça. Não sabia no corpo. Por isso, quando te olhei e, sem querer, sorri, tive medo. Medo de que um buraco no chão se abrisse e você escorresse por ele para todo o sempre. Medo de que tudo desse errado e de que eu nunca mais voltasse a te ver. Medo do fim antes do início. E não há nada. Eu sei, não há nada. Foi apenas um formigamento na boca do estômago: sensação infantil e romântica. Mas quando sorri, assim, sem querer, soube que não havia mais volta. Não por ora, não enquanto. Quando sorri soube, sem querer, que você seria meu companheiro de várias noites: eu dormiria com você na cabeça e acordaria embalada por bons sonhos. Mas agora, entre lençóis e travesseiros – e ainda sem você – tive medo. Medo de não te ver nunca mais e de deixar de dizer palavras que fariam seus olhos sorrirem. Medo de não chegar tão perto, e de não tocar jamais. E mesmo agora, enquanto escrevo, acho-me boba; mas tenho medo! Um pavor intenso e absoluto de você não voltar mais. Um sentir-me ridícula de não saber como me comportar com você. Um desespero profundo de estar me sentindo uma adolescente distante e um pânico supremo de me pensar de fato adolescente na sua presença. Agora, sei, posso me controlar. Mas quando olhar novamente em seus olhos pode ser que, de novo, eu sorria sem sentir. E aí não sei se vou conseguir segurar a tensão e conter o abraço. Ando querendo te olhar. E por isso tenho medo. De que o chão da sala se abra, e você escorra pelo buraco sem fim. Medo de olhar para você, e não sorrir espontaneamente. De querer te abraçar com força e corar – sem querer. Medo de tudo não passar de uma impressão, e sentir, ao te ver, que as borboletas foram embora, que não há mais nenhuma formiga. E medo, principalmente, de descobrir que é tudo real. Medo de não saber o que fazer. Medo de querer você e não poder, e medo de poder e você não querer. Ai, medo. Volto para os meus lençóis – alheios às minhas loucuras – que me acolhem, aconchegantes, para mais uma noite de medo e você. De eu e você. De mim.
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