
Oito cigarros. Oito cigarros figuram num maço comprado há dias. Oito cigarros que cismo em não acender. Tenho parado de fumar, como sempre. Por isso, agora, os oito cigarros me fitam inquisidores e gracejantes. Sete cigarros. São sete os que me olham. Um já descansa entre os lábios, embora ainda apagado, e levemente úmido. Seu cheiro invadindo minhas narinas. Desejo. O isqueiro que não deseja acender. Faísca. Fogo. O cigarro queimando de leve, e a fumaça subindo faceira. O vício. Precipício inacabado, medo do eterno fim. Medo da dor. Fumo porque me é inerente. Porque me traz certo alívio, e porque me lembro das repreensões. Fumo para me sentir completa sem ele, para sufocar o vazio que ele deixou dentro de mim. Hoje me lembrei. Falei um pouco, senti saudades. Hoje pedi perdão pela minha audácia. Perdão a mim mesma. Desculpas pelo precipício. Arrependo-me. O cigarro, já pela metade, ousa me lembrar o quanto sou fraca. O quanto vacilo. Entre as opções, a solidão. A vontade do outro inacabado e imperfeito. Ansiedade. As unhas vermelhas a combinar com os saltos. Altos. A esperança e a realização. O sorriso, enfim. O cinzeiro... Nada como duvidar de si mesmo...
2 comentários:
foto sensacional!!!
saudade!
bjinhho
... Muito Bom o texto, simples e empático ...
... Me identifico completamente!! ...
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