Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A volta
Teve medo de se perder naquele labirinto de emoções, e decidiu fugir, por uns tempos, praquele lugar seguro; aquele que sempre a esperava quando as coisas ficavam difíceis. Estava um pouco confusa com os acontecimentos, e tinha a estranha sensação de que voltar lá lhe traria aconchego e segurança. E foi. Arrumou as malas em instantes, tomou a decisão inesperadamente e se mandou pro outro lado de suas inquietações. Foi procurar abrigo quando não tinha mais onde ficar. Mas estranhou a mudança. Percebera, de uma hora para outra, que havia deixado muitas coisas inacabadas, muitos sentimentos em aberto, muitas esperanças ainda sobrevoando. O velho urubu pintado de verde. Não soube como se portar. Desta vez, era ela quem ia embora. Ela sempre ia embora – acabou percebendo isso. A idéia de que era ela que ficava abandonada era por demais irreal. Uma fantasia, que ela gostava de inventar. A grande verdade, é que ela sempre escorregava pelos dedos alheios, sempre fugia quando a situação parecia sem solução. Ela gostava de finais amenos. De coisas que terminam por si só. Tinha dificuldades de colocar um ponto final em suas coisas. Olhos nos olhos. Sempre temia voltar atrás quando a lágrima do outro escorresse. Sempre teve medo de magoar outrem. E assim, com medo de fazer sofrer, causava sofrimento e sofria calada. Sofria por motivos desnecessários, por ansiedades tolas. E culpava-se por abandonar aquelas pessoas, aqueles amores, aqueles sorrisos. É por isso que a volta lhe era sempre doce, apesar de lhe causar medo. Lá, no meio daquela sala e daquelas pessoas jogando videogame; lá é que ela se sentia em casa – embora aquela casa já não fizesse mais parte do seu cotidiano. Mas eram aquelas pessoas que lhe aqueciam a alma, e lhe embalavam os sonhos. Era neles que ela pensava, quando um sorriso largo lhe estampava a cara, ou quando gordas lágrimas lhe corriam pelo rosto. Era ali que podia ser ela mesma, e ser outra, sem o menor pudor. Era onde ela mais gostava de reclamar – porque eles sempre gostaram de ouvir suas reclamações. E era lá que ela estaria no dia seguinte: com uma cerveja gelada e um cigarro nas mãos. Com um sorriso nos lábios, e a alegria de uma pequena criança. Era lá que ela apareceria de surpresa, quando eles menos esperassem. E sentiria-se em casa, como há tempos não acontecia. É fato: era saudosista. Mas nada melhor do que o colo dos bons amigos...
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Um comentário:
ui! que saudade de você!
bjo no ombro
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