Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Da partida (ou 'algumas flores e um jardim')
Desculpa, meu amor, mas esta não é a primeira vez que isso me acontece. Na verdade, estou acostumada com separações inesperadas, rupturas repentinas. Talvez seja alguma coisa comigo, não sei. Mas aprendi a lidar com esse tipo de situação. Não sofro mais do que o suficiente. Tenho me dado ao direito de chorar por alguns instantes, e me levantar no momento seguinte: não sou do tipo que gosta do fundo do poço. É obvio que às vezes tenho medo; acho que todo mundo tem. E tenho me sentido sozinha, é verdade. Mas a solidão também é uma ótima forma de autoconhecimento. Acho uma pena, se você quer saber. Não gosto de desistir antes mesmo de tentar, mas entendo sua posição. Nem todas as pessoas conseguem se entregar, na iminência do fim. Eu, por mim, prefiro viver um dia de cada vez. O fim é sempre inevitável. Mas ter uma data pré-determinada para ele é realmente assustador. Porém prefiro permitir-me viver e sofrer. Posso morrer a qualquer momento, nunca se sabe. É como diria o poetinha: a vida é uma só. Duas mesmo, ninguém vai me provar que tem. Mas eu te entendo. De qualquer forma, ainda me entristece o fato de não tentarmos. Mas tudo bem. Outra coisa que aprendi com a vida, foi a respeitar os limites alheios. Quando um não quer, eu, pelo menos, não brigo. Ficamos assim combinados, então: seremos para sempre uma lembrança efêmera; uma foto em alguma parede; aquela estranha sensação de um sonho bom. Seremos o que poderia ter sido e não foi; e o que poderá ser um dia, se o acaso assim o quiser. Quanto a mim, sigo na busca incessante por algo que me emocione; por alguém. Tenho tido surpresas muito agradáveis pelo caminho e talvez você tenha sido apenas uma delas. Tenho aproveitado pouco os presentes que me caem no colo; tenho me perdido nas opções. Mas me cansei de aventuras malucas, de noitadas intermináveis. Acho que vou curtir um pouco o calor de uma cama vazia, e a tranqüilidade do sono acordado. Minha cabeça anda a mil. Tenho mania de inventar coisas, é verdade, e agora vou inventá-las de maneira menos real; mais controlada. Vou transformar a minha imaginação cotidiana em letras contínuas nalguma folha de papel. Vou me entregar a este amante virtual. Não sei se você reparou, mas eu nunca disse que prestava. Na verdade, não sei mesmo se presto. Vivo um dia de cada vez, e os dias são deveras surpreendentes. Tenho me assustado com essa montanha russa, mas aproveito cada ponto alto, pois tenho certeza que a queda virá em seguida. Não sei se gosto da adrenalina... Mas vou seguindo meu caminho, um passo depois do outro. Por favor, não entenda essas linhas como uma carta de despedida, ou um desabafo. São apenas pensamentos soltos, perdidos em uma tediosa tarde de primavera. Outras estações virão. No outono, quem sabe, com as temperaturas mais amenas, poderemos semear o que agora não foi possível. Não há como colher o que não foi plantado. Mas há como, sem ter feito nada, apreciar a beleza das rosas primaveris. Eu, por enquanto, apenas observo. E ofereço flores a quem julgo merecedor. Quanto a você, que seu caminho seja leve. Que o reencontro seja reconfortante, e que as decisões não doam tanto quanto a espera. Que o recomeço seja melhor do que a chegada, e que a partida seja apenas uma parte da estrada. Para você, planto uma rosa. E espero, sinceramente, que ela desabroche em breve. Linda. Onde quer que você esteja. Para você, planto agora esta rosa, que te acompanhará por toda a eternidade, iluminando seus passos nos momentos mais difíceis, e alegrando a casa vazia, quando sua alma vagar por aí. E para mim, uma licença poética; uma pausa dramática. Eu agora vou cuidar do meu próprio jardim. Até que alguém, com mãos delicadas, decida por fim, trazer o seu lar.
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Um comentário:
são flores e um maravilhoso jardim.
são sim e eu tenho certeza.
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