quarta-feira, 16 de julho de 2008

Um dia bom...

Descompliquei. Simples assim: descompliquei. A mesma capacidade que eu tenho pra inventar as confusões, tenho, às vezes, para desinventá-las. E como as coisas são criadas apenas dentro da minha cabeça, posso passar uma borracha nelas a meu bel prazer. Tá, tudo bem, não descompliquei sozinha... nada como alguns chocolates quentes no final da tarde, e uma tonelada de conselhos surreais de uma amiga de outro mundo. Ouvir um pouco me fez descomplicar mais rápido. Ouvi tudo que já sabia, mas que não queria perceber. Sofrer às vezes é bem mais interessante. Mas resolvi descomplicar dessa vez. E vivi um excelente dia. Acordei bem mais cedo que o normal, encontrei meus pais – que não via há mais de um mês, e fiz coisas que queria fazer. Tomei um (outro) hot fudge e comi um koni, por exemplo. Uma bobagem, eu sei. Mas uma bobagem deliciosa, que me fez feliz. Por trás da tranqüilidade, uma pontinha de ansiedade. Estava esperando um resultado que não saiu... Estranho. Mas provavelmente amanhã eu já saiba o veredicto.

A falta desta resposta me fez, subitamente, refletir sobre o que eu vim buscar aqui. É claro que um bom projeto teatral alegraria meus dias mais do que qualquer outra coisa. Mas descobri que, embora tenha vindo buscar outra coisa neste lugar, acabei me encontrando. Assim, ao acaso. Descobri muitas coisas sobre mim nos últimos tempos. Descobri que gosto de ficar sozinha, preciso de um pouco de solidão. Descobri que o ócio me cansa mais do que eu podia supor, e que algumas pessoas simplesmente não me fazem falta. Percebi que algumas prioridades caíram por terra, e outras pequenas besteiras ocuparam o seu lugar. Descobri que as pessoas são mais sinceras à distância, porque falar é muito difícil. E que a importância que cada pessoa tem em minha vida, só pôde ser medida na ausência. A ausência me fez descobrir afinidades nunca percebidas, e alguns carinhos soterrados. O tempo de olhar pra dentro tem sido realmente muito importante para mim. Tenho descoberto muito de mim nos outros também. Marcas que eu deixei neles pela convivência, e semelhanças temperamentais, humanas. Tenho lido bastante. E ler tem preenchido, um pouco, a falta que eu sinto da academia. Já estava farta daquele ambiente, é verdade. Precisava deste tempo para respirar. Mas já consigo vislumbrar uma volta... o mestrado tem se tornado cada dia mais tentador! Mas confesso que tenho um pouco de medo deste universo. Discordem o quanto quiserem mas, pra mim, o excesso de conhecimento mata um pouco o artista. Muito difícil ser culto e espontâneo ao mesmo tempo. Quando há conhecimento demais, qualquer impulso criativo é freado por relações teóricas e comparações estéticas. Vejo isso todo o tempo. A luta do conhecimento com a criatividade. Difícil lidar com ela. Ambas as coisas são de suma importância para o artista, mas é difícil encontrar a dose certa. E ambas podem ser letais.

Mudando um pouco de assunto, tenho me impressionado com a repercussão desse blog. Exagerada, eu? Talvez. Mas quando criei esse espaço, achei que fosse escrever somente pra mim. E, além dos comentários deixados aqui, já recebi e-mails, depoimentos no orkut, telefonemas e declarações sobre estes escritos. A-do-ro cada um deles. Acho que são eles os principais responsáveis por eu me mostrar um pouco mais aqui. Porque se tem uma coisa que aprendi com eles é que a gente só comenta o que toca/incomoda/atinge a gente. Já escrevi vários textos, e cada pessoa comenta alguns especificamente. Uns criticam, outros elogiam, outros pedem explicações, outros simplesmente agradecem. Um me mandou e-mail falando que eu o incentivo a escrever, o outro me agradeceu por ajudá-lo mesmo quando nem sei que o estou fazendo, o outro criticou um monólogo como se fosse um diálogo, o outro disse que não entendeu direito o que eu quis dizer, e o outro ainda interpretou a coisa de uma forma encantadora, mas que eu nunca tinha pensado. Tenho achado isso maravilhoso. Não conhecia direito esse poder da escrita. Depois que publico um texto, ele se torna vários. Para cada leitor, um universo diferente. Cada um faz suas conexões, o transporta para seu universo particular, o relaciona com experiências singulares e únicas. Para cada um, mil. É o milagre da multiplicação. É claro que pra esse turbilhão de descobertas, há também alguns enganos. O mais comum deles é achar que as coisas que eu relato aqui de fato aconteceram. Ou que o que eu escrevo é o que eu realmente acho. Já no texto de apresentação eu disse: isso aqui está cheio de mentiras, transformações. Essas linhas são apenas uma livre distorção da realidade: para o bem ou para o mal. Espero que isso fique claro. Não quero ser julgada ou questionada sobre as bobagens que escrevo aqui. Esses textos são só rascunhos que escrevo com a alma. Uma forma de gastar um pouco a energia, aplacar a necessidade de me expressar. Outro dia pensei em escrever um texto cheio de putarias, mas fiquei com medo de ser mal interpretada. Freei o impulso. Fico devendo este texto. Este e muitos outros.

Para terminar, queria agradecer. Sei lá o quê. Sinto que devo agradecer. Hoje estou grata, tive um dia bom. Não sei a quem agradeço. Mas agradeço o carinho, as decepções, as realizações, os sonhos, os sorrisos e as marcas. Principalmente os sorrisos. Tenho visto sorrisos lindos. Sorrisos com os olhos. Acho que meus olhos estão sorrindo agora. Os olhos, a janela da alma. Obrigada. Obrigada pelo carinho, pela compreensão, pela paciência. Obrigada por perdoarem minhas intempéries e comungarem da minha insanidade. Gostaria de dar um abraço no mundo agora. Estou transbordando uma coisa que não sei o que é. Espero que chegue um pouco aí pra vocês. E obrigada! Obrigada por gastarem seu tempo comigo. E por fazerem parte destes pequenos momentos. Destes fragmentos – pequenos e lindos. Fragmentos desta vida inventada!



***Agradecer é de suma importância. Coloquei o ponto final no texto e recebi um telefonema. Um telefonema das minhas irmãs de alma. Já não acredito mais em coincidências. Obrigada pelo acaso. Obrigada, lindezinhas. Amo vocês demais. Obrigada por fazerem parte do meu universo. E por fazerem de mim uma pessoa um pouquinho melhor. É, hoje só tenho a agradecer. Obrigada, obrigada, obrigada! Um beijo em cada um de vocês.

4 comentários:

Marcela Sena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcela Sena disse...

A alma transbordando em suas palavras! agradecer seria uma das faiscas dessa magnetude.
parabéns pelo blog, afinal ele é o unico vicio que nao lhe causará danos corporais, como faringite e outros.
gosto de vc baunilha!

obrigada.

Prós disse...

Pode crer. Sinto a mesma coisa com meu blog que, tipo, não é sobre minha vida, mas sobre uma coisa inventada que tem minha vida como pano de fundo. É claro, não posso sair de mim mesmo para escrever. (As vezes dá uma vontadezinha.)

Vc tbm já criticou meu blog há anos atrás falando que era uma coisa de contar a vidinha e tal. Agora acho que vc me entende. Não se vc não lia ou se lia e não entendia ou se eu não escrevia o que eu pensava que escrevia. Deve ter outra opção tbm que não pensei.

Voltando à vaca fria, várias vezes ainda coloco um aviso nuns textos falando que eles não são verdadeiros. Sempre vai ter alguém pra achar que são e esse post que fala que eles não são verdadeiros rapidamente vai ser *esquecido* por todo mundo. E então vão achar de novo que é tudo verdade, um saco. Mesmo que vc fale que não são. Enfim, é preciso aprender a conviver com isso.

A estratégia que criei pra isso é: quando publico alguma coisa que fico meio com vergonha, que acho subversiva ou que acho que posso ser mal interpretado, rapidamente publico uma outra coisa logo em seguida. É que (parece que) a galera só lê o mais recente -- ou pelo menos assim eu me engano e acho que ninguém vai ler o outro. Me sinto meio covarde de não publicar, assim publico todos que termino. Não gosto de me auto-censurar -- embora às vezes deixe de terminar alguns... Freud explicará.

Enfim, quando saí de casa há anos atrás tbm senti esse gosto pela liberdade e tal. É bom, mas tenho medo de nunca mais conseguir viver com alguém... veremos o que o futuro nos reservará.

Pra terminar, acho que as pessoas têm medo de comentar no meu blog, sei lá porquê. Tem muita gente que sei que entra com freqüência mas que nunca disse nada. Acho que eu amedronto um pouco as pessoas e fico feliz que esse não seja o seu caso e que a galera troque idéias com vc sobre seu blog e tal. Enfim, tbm não gosto muito de trocar idéias sobre meu blog, sei lá porquê... talvez vc goste.

Sei lá, entende. Só sei que vejo muito de mim aqui e talvez vc veja um pouco de si lá tbm. Vai saber...

Bjs!

Anônimo disse...

obrigada por você me entreter em tardes monótonas e encher meu olhos de lágrima de saudadezinhas.
te amo