terça-feira, 29 de julho de 2008

Quando falta inspiração

Tenho vários textos inacabados e não sei lidar com eles. O que fazer com fragmentos de emoções e pensamentos que não chegaram a ser concluídos? São desabafos sofridos. Talvez sejam só pra mim. Mas são também histórias interessantes, contos absurdos, teses inacabadas. São partes do mosaico que me quebra por dentro. São partes pequenas de coisas que eu não sei. Coisas que são minhas e que não me pertencem mais. É difícil quando uma coisa que foi sua deixa, de repente, de o ser. O sentimento de perda é multifacetado. Mesmo quando a perda é voluntária. O suicídio é um pulo no vazio. A perda voluntária máxima. A decisão sem volta. Mas as outras perdas voluntárias são passíveis de mudança. Acabo de abrir mão de algo. Não sei ainda se voltarei atrás. Pode ser que isso aconteça em minutos, ou nunca mais aconteça. Estou um pouco cansada de me questionar e ser questionada por minhas atitudes. Às vezes o que vale é o instinto. Hoje comecei três textos – não consegui terminar nenhum. Me senti impotente. Tentei escrever sobre a solidão: não a minha, mas a do mundo. Essa estranha epidemia que tem contaminado as pessoas de bem. Ficaram todos pensamentos pela metade. Letras embaralhadas em um fundo qualquer. Aí comecei este desabafo. Não penso enquanto escrevo: escrevo. Erro palavras, erro pensamentos, me erro. Adoro os textos dos dedos. Uma forma menos autoritária de botar as coisas pra fora. Gosto de fugir ao comando da cabeça, embora ela, ultimamente, tenha me dado conselhos sensacionais. Prometo escrever alguma coisa sensata por esses dias. Tenho muito o que escrever. Os temas estão pipocando. Mas acho que minha cabeça anda organizada demais. Os textos são filhos da confusão. E agora estou calma. Quieta. Tudo na mais perfeita ordem. É por isso que a poesia se esvai. A poesia é um móbile solto no furacão, como eu. Preciso de vento. Ando na calmaria. Quero a correnteza. Por enquanto balanço como folhas de árvores: lentas e seguras pelo galho. A segurança sou eu mesma. Sou auto-suficiente. Eficiente. Consciente. Dente. Mente. Demente.

2 comentários:

Marcela Sena disse...

o interessante foi publicar nossos textos ao mesmo tempo, sim amiga em uma harmonia desconhecida por nós!
gosto do que vc escreve, nao me canso de dizer que sinto cheiro de baunilha ao ler! é bom, estamos na mesma sintonia.
furacões?! depois que escrevi fiquei na duvida se é o furacao ou se é so um desejo!
te amo sim. e disse!
é isso que to sentindo, que sinto. pois sinto muito.

Marcela Sena disse...

Agora vc etnendeu neh!?
vou postar a musica para as personas entederem.
ai sucesso para nóis!
to enrriquecendo o cafeina!
assim nao dá assim nao pode!
=)