Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Confusões Sentimentais
Hoje acordei com café na cama e um beijo de bom dia. Bonito não é? Seria... se a cama fosse outra, e o beijo de outro alguém. Me senti desconfortável. Por fora, o sorriso, a surpresa. Por dentro um grito mudo. Bobagens... A gente faz milhões de bobagens durante a vida! Mas hoje fiz uma das piores: hoje fui desonesta comigo. Coloquei um outro homem na quadrilha; troquei de par. Mas foi ele quem quis dançar. Não estou preocupada com isso agora. Não o machuquei, tenho certeza. Na verdade não machuquei ninguém além de mim. Não foi a primeira vez que menti pra mim mesma, mas foi a primeira vez que premeditei o engodo. Ele já estava escrito há algumas semanas. Eu sempre soube de sua existência, mas mesmo assim não consegui evitá-lo. Não consegui conter as coisas que se mexiam aqui dentro. Embrulho no estômago. Uma fome infinita. Uma indiferença forçada que eu não consegui enterrar. É engraçado quando as atitudes tomam o lugar do sentimento... Não sei se estou sendo clara, mas comigo acontece às vezes de eu querer fazer uma coisa e acabar fazendo exatamente o oposto. Foi o que aconteceu ontem. A mentira que eu me contei só foi necessária porque eu não consegui agir da forma que eu queria. Aí menti, pra me esconder. Metade das coisas escritas nesse texto são alegorias. E a outra metade está confusa, eu sei. Mas é que ainda estou perdida nos meus próprios sentimentos. Acho que seria mais fácil deixar pra lá, e fingir que nada aconteceu. Mas eu estaria mentindo de novo. Ia ocultar o problema criando uma espera. Por que a gente tem a mania de sempre fazer as coisas do jeito mais difícil? Outro dia assisti Um beijo roubado, e o filme me tocou muito. Um filme em camadas. Muito mais profundo do que parece a princípio. Ele conta a história de uma mulher que demorou dez meses para atravessar uma rua. Ela pegou o caminho mais longo e demorou dez meses pra fazer algo que podia ter feito em segundos. Acho que estou fazendo isso. Demorando meses pra esticar o braço. Ok, é verdade, já fiz alguns movimentos. Mas em momento algum estiquei o braço. Talvez por medo, insegurança. Mas acho que mais por comodidade. E vaidade, até. No fundo, a gente gosta que nos estendam a mão. Mas sem querer ficamos, nós, de punhos cerrados. Eu, na minha polifonia sentimental, me questiono sobre a eficácia de me mover agora. Talvez eu deixe de esticar o braço e alcançar o que eu quero só por medo de não conseguir. Então fico esperando um movimento de lá pra cá. Enquanto isso, vou me mentindo, me machucando. Fingindo que não me incomodo e não me abalo. No fim pode ser que, cheia de arranhões e machucados, eu não consiga nem mesmo agarrar a mão que eu estou esperando. Por isso penso às vezes em jogar esse braço fora. Não sei porque o quero. Talvez porque ele seja mais complicado do que eu, e isso me encante. Talvez um capricho de menina mimada. Talvez um início de amor. E só. O que garanto é que estou sempre perto do prazo de largá-lo aos cachorros, mas cismo em roer um pouco mais o osso. Já desisti, mudei de idéia, reconsiderei, voltei atrás. E agora não sei se minto para mim querendo ou não querendo. Já estou perdida demais nesse emaranhado de sentimentos. A ampulheta já está virada pra baixo, mas eu detesto ver a areia se movendo. Gosto da ilusão. Tenho essa semana para resolver coisas importantes. Ou deixá-las para sempre sem solução. Estou largando um pedaço de mim aos jacarés. Eu sei, já menti antes. E é por isso que me assusta. Estou com a estranha sensação de que há alguma verdade nisso tudo. Mas minha paciência é zero, eu já disse. Enquanto me confundo dentro de mim, parece que estou me esclarecendo pros outros. E isso me preocupa mais ainda. A identificação é perigosa. Há pessoas se apaixonando por si mesmas, mas ainda não descobriram. Não quero ser o objeto de transferência. Já tem muita gente louca no mundo. E eu estou precisando me curar. Tenho que buscar a coerência. Não falei nada com nada. A ressaca do corpo já passou, mas aqui dentro tem um buraco imenso que não cabe a mim preencher. Você podia me ajudar. Nem que seja pra soterrá-lo. Tenho ficado angustiada com a espera. E estou com um sorriso estranho no rosto. Tenho tido medo de mim.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Eu tenho me sentido assim, extremamente confusa, indecisa, nao sei ao certo o que dizer, fico esperando as respostas que parece que nunca vou encontrar, e acabo entrando em ideias e palavras compreendidas por pessoas que eu nunca as vi, mas sei que existe alguem que ja sentiu como eu me sinto, e isso de fato me da forças pra nao desistir ... Ser coerente é saber reconhecer os proprios problemas e tentar de tudo para combate-los, essa é uma busca, e sem muito o que dizer desejo a quem for, que saiba esperar de alguma forma e encontre em alguma consciencia o prazer de viver... enfim minha amiga, a vida nao tem mais o que , como, tentar defini-la... nao existe isso!
Postar um comentário