Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
As letras e o tempo
Não se pode dizer que se deixou de fazer aquilo que nunca se fez. Certo? ... ? Escrever faz e sempre fez parte do cotidiano das minhas tramas e pensar em parar de fazê-lo simplesmente não faz o menor sentido. Mas andei sendo relapsa com este fértil sítio de imagens e afeições. Andei plantando por outros caminhos – talvez menos profícuos. Mas resolvi voltar às raízes e deixar florescer este texto ainda encharcado de preguiça, daqueles que custam a se desprender dos dedos para dar lugar à tela. O exercício da inspiração é mesmo coisa muito capciosa, cisma em atravancar as frases no meio de um maremoto de lirismo. Acreditar nos fonemas é tarefa escaldante, exultante que, de quando em quando, esbarra naquele velho problema da auto-estima petrificada, assustada com sua própria coisificação frente ao espelho cruel e maléfico do tempo. Divago, sim. Voltar a escrever linhas soltas depois de tentar – e conseguir – enjaular-se em estruturas rígidas e risonhas não é tarefa fácil. Por isso desprendo-me. Não quero saber que vão pensar os leitores esparsos que – a bem da verdade – há muito já deixaram de passear por estas pequenas estradas de ilusão. Exercito-me, e só. Por aqui, dirijo ainda sem graça as imutáveis caravanas do meu subterrâneo que, dentro em pouco, voltarão a cuspir em lava e prosa as profundezas das minhas paixões. Penso – sem querer acreditar – que a inegável falta de assunto que me acomete é resultado da minha imensa e tranqüila felicidade. Já não sofro mais de solidão. Já não fumo. Também não tenho aventuras de amor velozes pra relatar em minhas linhas. Sou barco correndo lento pela maré, beirando o fio da navalha que separa o paraíso a dois, do pavor da monotonia. Espantada, percebo a obtusa verdade: nunca estive tão completa. Apesar das torcidas homicidas, das invejas deslavadas, das parcerias carnavalescas perdidas. Não preciso mais buscar o que encontrei. Tenho a sutil certeza da infinidade e o medo absoluto de velar a paz antes do tempo. Mas, dentro da alma, o riso. Pequenino e delicado, como qualquer pérola de amor.
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Um comentário:
Gostei de ler você minha sobrinha. Palavras lindas saindo quentinhas da sua cabeça..parabéns, beijos.
Silvia
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