Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Brainstorm
O dia amanheceu escuro, como uma noite sem estrelas. As cinzas pesadas entrando pela janela. Um ruído de mundo desabando sobre algum lugar em mim. Por dentro, apenas a vontade de ficar um pouco mais, como é de praxe. Por fora, a vida gritando sedenta, afogando-me por entre a realidade. O dia amanheceu escuro e minha alma reagiu como noite, num silêncio acanhado de quem não sabe aonde ir. As palavras presas por entre os dentes. O sorriso fervendo apenas nos olhos. Os dedos com vontade de agarrar pedaços alheios. O coração com medo de sangrar mais uma vez. Sem pressa, nada do que a cabeça programou torna-se real. Tudo mentiras pensadas. Tudo verdades queridas. Os dias se esquecem de acontecer nesse vendaval de cenas. A linha terminando num anticlímax febril. Pensa nele, nos outros, em si. Mas apenas pensa, e por não agir sofre. Os dedos bailando valsa num teclado também em breu. Silencio, calma, a vontade de gritar. O desejo arrebatador de dizer coisas insanas que rondam meus pensamentos. Aqui, tudo é mentira. Aqui, tudo é a mais pura verdade. Prostituo as letras a meu favor, jogo com os fonemas e com a sintaxe. Brinco de escrever. Mas no meio de tudo, no fim de tudo, tem eu. Perdida entre as letras assombradas, que formam palavras ao leo. Tudo em mim. Ao longe, gritos loucos de alguma dor. Por perto, sussurros no ouvido de total prazer. Penso nos cabelos que não posso alcançar. Mais uma vez, esperarei em vão por brancos sorrisos de paixão. Ainda mais uma vez, deixei para trás óculos e jeans. Mas ainda trago a moradia comigo. Casa de algumas frases. Desengano. Bailo. Brinco de novo de não dizer nada com nada e ainda assim fazer algum sentido. Algum sentido há de ter. Na minha cabeça, ou na de quem assiste febril ao desenrolar das linhas tortas. A vida se escreve letra por letra e, às vezes, a gente desentende o significado das palavras. Correndo por entre os corredores vazios e perdendo-se nos labirintos da falta de coragem. Ando não sabendo o que dizer. Ainda tenho vontade de olhar. Às vezes apenas os olhos são capazes de significar a contento. Aurélio teria inveja. Por isso, tampo agora as pupilas para mais uma noite de sonhos negros. Amanhã, acordarei sob um céu cinzento, com gosto de lágrimas, e sem pernas por onde enroscar. Acordarei sonolenta, caindo novamente na rotina desesperadora de sorrisos e cifras. E, se eu tenho que me render a elas, só espero que, amanhã, elas sejam musicais. A melodia anda escorrendo por minhas orelhas como mel. Prestes a se açucarar. Amedrontado (e ameaçado) por esta chuva que despenca ao longe. E que espera, paciente, o dia de chegar aí!
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2 comentários:
Belissimo...acho que ando meio parecida contigo.
como uma bela melodia!!!
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