Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
domingo, 13 de setembro de 2009
Alcoolvalsâmico
Procurando pela casa algo doce para comer. Mas só há morangos. E morangos, no momento, não agradam meu paladar. Morangos são restos insossos do sangue que já suguei. Nada mais doce. Bêbada de alcoóis diversos, pergunto-me se vale a pena continuar essa existência insípida. Nada como água. Ainda não sei por que, mas os cachos morenos e deliciosamente desgrenhados ainda não saíram do meu pensamento. Tenho fuçado vidas alheias ao meu bel prazer. Nada que se reclame e se admire. Apenas mais um exercício fugaz de quem não tem o que fazer. Pergunto-me, descrente, como impor a aproximação, mas nenhuma resposta sutil me vem à cabeça. Quero. Desejo. Mas ainda não sei como agir. A proximidade ao longe me tornou ainda mais distante. O contato que parecia simples complicou-se, tornando meus anseios ainda menos palpáveis. Se ele está lá, e eu aqui, desconfio qual seria a grande distância. Mas ela não há. Estamos próximos no descuido. Sabe incerto das minhas fadigas. Penso em telefonar, mas o numero não me ocorre. Nunca o soube, é verdade. Mas minha ânsia de falar parece absurdamente coerente e necessária. Aguardo oportunidades. Loucamente. Penso, sem saber como demonstrar, mas penso, como qualquer apaixonado pensaria. Ando com a solidão. Quero o abraço certeiro e o sorriso conciso. Apenas mais um olhar vacilante. Adoraria revê-lo. Penso-sonho em tocá-lo. Mas suas sonoridades me escapam por entre os dedos, fazendo com que cada nova nota pereça, enfim, o prelúdio de um novo amor. Que custa a passar. Já há absurdos na nossa historia. Meses e meses de criações desavisadas. Quero botá-las à prova, mas novos rumores resistem às condições do passado. Quero sorrir ao seu lado. Não custaria nada estender a mão, mas os braços pendem soltos, amarrados a alguma algema invisível. Se os dedos passeiam livres, por favor, estenda-me as mãos. Já não posso mais conter o maremoto que me arrasa, e que me leva, febril, de encontro a você. Já não me basto. E não quero parecer leviana pela velocidade assustada dos compassos em meu peito. Mas penso em ti desnudo, como quem baila na areia o tango dos que já não vão. Traga para mim um punhado de mar. Valsa, faceiro, suspiros para mim. Criança. Sorri-me com a alma. Que a vida eu mesma me encarrego de lhe dar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
incrível!!!
Postar um comentário