- Feliz ano novo!
- Já é a quinta vez que você diz isso.
- E qual é o problema?
- O problema é que hoje já é dia 25 de Janeiro
- Então. É o primeiro mês do ano novo.
- Quer dizer que daqui a seis dias, quando começar o segundo mês do ano, você para com essa chatice?
- Não, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
- Ah não?
- Não.
- Então quer dizer que toda vez que a gente abrir uma garrafa de champanhe você vai dizer isso?
- Mais ou menos.
- A partir de hoje está vetado qualquer tipo de espumante aqui em casa!
- Que isso, amor? Você não acha que está sendo muito intransigente?
- Talvez. Mas eu prefiro ficar obesa de tanto tomar cerveja a ter que ouvir esse “feliz ano novo” toda vez que a gente brinda com champanhe.
- Que bobagem!
- Tanto quanto ter que fazer essa piadinha.
- Não é piadinha. É um desejo.
- Uma chatice.
- E você, que toda vez que vai brindar fala “tim-tim”?
- Eu??? Falo “tim-tim”??? Você deve estar me confundindo com uma das suas amantes.
- E desde quando eu tenho amantes, querida?
- Eu não sei, é claro. Se soubesse, provavelmente estaríamos separados.
- Não fala besteira!
- Não é besteira, é só um desejo.
- De se separar de mim?
- De não fazer papel de otária.
- Mas você é tão boa atriz... Ia arrasar no papel de otária!
- Não estou gostando dessa brincadeirinha.
- Você está tão estressada. É tpm?
- Essa então eu gostei menos ainda. Porque que os homens sempre acham que quando a gente se irrita é por causa da tpm?
- Porque geralmente é.
- Vocês nos irritam muito mais do que a tpm.
- E mesmo assim você nos adora.
- É um vício meu. Um dia ainda vou me curar.
- Bobagem! Você nasceu assim e vai morrer assim. Uma devoradora de homens!
- Olha o respeito!
- E não é? Eu adoro.
- Então você bem que podia parar de desejar “feliz ano novo”. Só pra me agradar.
- Por você eu faria qualquer coisa!
- Qualquer?
- Qualquer!
- Então prepara um banho de banheira pra mim! Estou precisando relaxar.
- Você é tão realista. Não podia me pedir um beijo?
- Podia. E vou pedir. Depois que você preparar o meu banho.
- Eu não vou levantar daqui agora nem por um decreto.
- Mas você disse que faria qualquer coisa por mim.
- E faria. Agora não faço mais. É passado.
- Às vezes eu me pergunto onde foi que a gente se perdeu...
- Onde a gente se perdeu eu não sei... mas isso também não me interessa mais, já tem tanto tempo...
- A gente devia se separar.
- Devia. Mas ia dar muito trabalho, e a gente tem preguiça.
- Tem toda razão.
- Além disso, apesar de perdidos a gente ainda se encontra direitinho na cama.
- Vou ter que dar o braço a torcer?
- Vai.
- Tá bom, é verdade. Pelo menos na cama a gente se entende.
- E como se entende!
- A gente perde muito tempo brigando, já reparou? Mas eu adoro me irritar com você.
- Casamento é isso. Pelo menos pra alguma coisa eu tinha que servir.
- Mas você não serve só pra me irritar... você também abre as garrafas de champanhe.
- Aliás, vamos tomar mais uma?
- Só se for dentro da banheira, antes de ir pra cama.
- Você é quem manda. Estou morrendo de saudades, sabia?
(Olhares insinuantes. Mãos. Beijo. Ele se levanta. Estouro de garrafa).
- Feliz ano novo!
(Ela sorri. O resto da cena eu deixo por conta de sua própria imaginação. Pelo menos pra alguma coisa você tinha que servir...).
Um comentário:
desejei ter um marido depois de ler seu texto. acho que vou me casar este ano... rs. piada da vida. piada do amor.
saudades.
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