Pensamentos, frases, estórias e mentiras criadas a partir de fatos corriqueiros. Uma livre distorção da realidade.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Pensamentos Inventados
Sento. Fumo. Da janela do prédio ao lado alguém me observa. Furtivo. Observo-o também. Sem maiores interesses. Ele nada faz que possa me interessar. Apenas me observa. No mp3, Caetano. Balanço ao som da música e do vento. Um tango. Irritante, talvez. Fecho a cortina por instantes fugazes. Ser observada me instiga. Abro-a de novo. Ele ainda está lá. Chama alguém, que logo se desinteressa. Ligo o computador. Sento. Escrevo. Pra que tanta bobagem? Penso nos amigos de longe. Ele podia me gravar um cd do Caetano. As músicas que tenho são poucas. Só servem para aumentar a saudade. Conto os dias. Em 6 estarei lá. Nada me prende àquela cidade. Minha vida é aqui. Estou feliz. Esperançosa. Os acontecimentos dos últimos dias serviram para levantar um pouco o ânimo. Penso naquele garoto. Lindo, angelical. Algo nele me atrai. Algo nele me afasta. Não sei se vale a pena tentar. Mas como não estou fazendo nada, a idéia me parece interessante. Tantas coisas a falar com tantas pessoas. Nenhum assunto. Curto a solidão. Adoro estar só. Vivo dentro de muitas pessoas. Muitas pessoas vivem dentro de mim. É bom me aquietar. Sentar e deixar os dedos falarem pela cabeça. Uma efusividade de coisas que nunca tinha pensado antes. Será que as palavras saem da minha cabeça, dos meus dedos, ou simplesmente aparecem no papel por vontade própria? Ultimamente tenho tido vontade de escrever sempre. Me pego escrevendo textos mentalmente. Outras vezes falo coisas com uma dramaticidade que não é minha. Acho que estou me perdendo pelas pessoas que estão habitando dentro de mim. Puta que pariu. O que é que estou dizendo mesmo? Lembro da professora que me ensinou que nem todo texto deve ser coeso. Esqueça a coesão e a coerência. Escreva. Escreva sem pensar, pense sem escrever. Faça tudo ao mesmo tempo e leia depois. Não se preocupe com o formato. Não formate. Acho que aprendi direito. Ando perdendo a coerência na vida. Digo coisas que não acho, coisas que não queria dizer. Defendo pontos de vista que não são meus. Sigo sendo eu. Incoerente, concisa. Louca, perdida. Ando dizendo que quero casar. É uma idéia tentadora a de dormir e acordar todo dia com a mesma pessoa – a pessoa pela qual o carinho transborda sem aviso. Mas essa pessoa ainda não existe. Mas existem tantas pessoas. Entre essas pessoas, algumas poucas que me emocionam particularmente. Homens, mulheres, crianças. Acho que minha ligação com elas transcende essa existência. Mas de novo: o que estou dizendo? Não acredito em outra vida, em vida depois desta morte. Mas ainda sim conheço pessoas que me fazem pensar que não foi por acaso. Não é por acaso. Estranhamente, não há atração sexual por nenhum desses seres. Seria perfeito: alguém que me emocionasse e ainda sim me atraísse. Será que isso acontece? Acho que não. Esse sentimento que estou tentando descrever é algo que não deixa espaço para os quereres do corpo. É algo de alma – seja lá o que isso for. São coisas que me fazem sorrir por nada, de nada, para nada. Só pra mim. Adoro fazer as coisas por mim. Para mim. Quando faço algo assim, faço para o mundo todo. É o que estou fazendo agora – numa cidade estranha, numa casa estranha, numa vida estranha. Nunca estive tão confortável. Nunca estive em um lugar tão meu quanto aqui. Adoro me conhecer um pouco mais. A cada dia. A cada palavra dita sem pensamento prévio. Quantas serão essas que habitam em mim? Uma só: eu. Mas é que eu são várias. São todas. E pontos. . . . . . . . . .
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2 comentários:
gosto quando entra nas pessoas!
gosto quando se perde.
diria que é encantadora sua falta de rumo!
seja bem vida querida estranha num lugar estranho...
acho que por isso nos damos bem.. pois tambem sou uma estranha, na verdade nao.. uma diferente.
se fosse estranha seria vc!
hehehehe
bjo no pulmao! que ta precisando de carinho... anda fumando muito!
fiquei tocada flavinha.
texto muito bonito e muito você.
Não tem como negar a autoria.
Um beijo da amiga distante
Sylvia
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